O Centro de Pesquisa em Tecnologia de Fusão de Tianfu, parte do Instituto de Física do Sudoeste (SWIP) e pertencente à China National Nuclear Corporation, foi concebido para cumprir sua missão de investigação científica em fusão nuclear controlada.
O projeto arquitetônico utiliza círculos como elemento unificador, inspirando-se tanto na física da fusão nuclear quanto no conceito de «Tianjing» (poço de luz) encontrado nas moradias tradicionais de Sichuan. Essa simbologia abrange desde as partículas minúsculas até a escala cósmica.
O prédio principal de pesquisa possui uma configuração circular em anel com 100 metros de diâmetro, abrangendo cinco andares acima do nível do solo e um subsolo. A disposição das unidades de Pesquisa e Desenvolvimento segue um padrão centrípeta, o que elimina qualquer hierarquia ou diferença de distância, promovendo um ambiente de aprendizado igualitário e aberto.
No centro da edificação, encontra-se uma abertura hiperboloide em formato de ampulheta, denominada «Funil de Luz», que se projeta do telhado até o primeiro subsolo. Esta abertura se abre para o céu e desce em direção ao solo, abrigando um jardim central e um salão circular multifuncional subterrâneo.
Pontes de pedestres radiais ligam este edifício central aos demais, criando um visual marcante com características futuristas. Cada pavimento conta com cafeterias voltadas para pátios laterais e escadarias paisagísticas. As longas varandas em balanço ao redor do perímetro externo permitem tanto a realização de pesquisas focadas quanto a troca informal de ideias.
Os terraços adjacentes oferecem sombreamento solar para otimizar as condições térmicas e luminosas internas, além de enquadrar as vistas das montanhas de Longquan.
O desenvolvimento do projeto exigiu a superação de complexos obstáculos técnicos, como a criação de um átrio com estrutura de cabo-membrana em formato de ampulheta de grande vão e o planejamento da passagem de tubulações mecânicas e elétricas sob o sistema de vigas e pilares circulares.
A equipe de engenharia conseguiu materializar a forma do «Funil de Luz» empregando cabos protendidos de alto vanádio, membranas de ETFE, painéis de alumínio perfurados e corrimãos de vidro com padrão rombóide esmaltado. Além disso, o edifício incorpora diversas tecnologias verdes, incluindo ventilação por efeito chaminé, ventilação natural, coleta de água da chuva, reutilização de águas cinzas e painéis fotovoltaicos circulares no telhado, visando um desempenho ecológico e de baixo carbono.
Um refeitório circular secundário destinado aos colaboradores está conectado ao prédio principal através de uma galeria coberta que cruza um espelho d'água artificial. Este espaço possui terraços em degraus no segundo andar e um jardim no topo. A área de refeições, com seu layout circular de 360 graus, maximiza a conexão com a natureza, tendo a paisagem do lago e das montanhas distantes como cenário para as refeições e momentos de descanso.
Em suma, a arquitetura geral estabelece uma profunda fusão entre a imaginação da ciência de fusão, o contexto arquitetônico local, as inovações ecológicas e as necessidades humanas da pesquisa científica, buscando criar um espaço que transmita otimismo e fé tecnológica, onde o artificial e o natural se encontram.