O Governo Federal deu início, nesta terça-feira (11), ao programa denominado Nuvem Soberana do SUS. Esta iniciativa consiste em uma grande transferência dos dados de saúde nacionais para servidores localizados internamente. A administração desses computadores ficará a cargo do Estado, utilizando o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), visando assegurar a soberania digital na área.
Além de garantir maior acessibilidade aos dados dos pacientes pelas instituições de saúde, a medida visa reduzir a dependência de tecnologias provenientes do exterior. A implementação ocorrerá em fases distintas: a primeira fase contemplará os mais de 230 milhões de cidadãos brasileiros e estrangeiros registrados no Cadastro Nacional de Usuários do SUS (CadSUS). Posteriormente, a segunda etapa focará na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), que abrange cerca de 5 bilhões de registros. O plano final prevê a consolidação de mais de 450 aplicações operando de maneira integrada.
Conforme informado pelo Ministério da Saúde, a experiência dos usuários brasileiros ao acessar os serviços digitais do SUS permanecerá inalterada, mas com reforçadas garantias de segurança, em conformidade com a LGPD, e com a integração de dados em nível federal. O ministro Alexandre Padilha anunciou um aporte inicial de R$ 18 milhões para esta primeira fase, batizada de Fundação, com meta de concluir a migração do CadSUS até o final de 2027.
Esta ação está alinhada com o conceito de governança digital. O governo mencionou que nações como China, Rússia e diversos países europeus estão passando por processos semelhantes, buscando o controle interno dos serviços públicos, que hoje estão totalmente inseridos no ambiente digital.
Um estudo realizado em 2025 pelo Departamento de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) havia destacado os riscos de manter dados sensíveis do SUS em plataformas de empresas estrangeiras. Atualmente, a RNDS é hospedada no Serpro MultiCloud, uma infraestrutura que utiliza serviços de grandes empresas de tecnologia, como a Amazon Web Services (AWS). A migração proposta serve como uma estratégia para contornar essa dependência tecnológica.
Em outro contexto de governança digital, destaca-se a participação do Brasil na WAICO, Organização Internacional de Cooperação em Inteligência Artificial. Os 29 membros dessa organização trabalham na busca por métodos que aumentem o acesso do Sul Global ao desenvolvimento de inteligência artificial. Apesar de possuir modelos de IA nacionais, o Brasil ainda depende de LLMs de corporações estrangeiras, notadamente as americanas Google, OpenAI e Anthropic, e ainda há um longo caminho a percorrer para alcançar a independência nesse setor.
Durante o evento realizado em Brasília, o Governo Federal apresentou dados sobre a digitalização do SUS. Atualmente, o aplicativo SUS Digital registra mais de 70 milhões de downloads, e sua versão profissional já possui integração com 84% dos municípios do país. A unificação dessas informações promete facilitar o acesso desses profissionais. Adicionalmente, o ministério ressalta a relevância da digitalização para a oferta de serviços como teleatendimento, que teve um crescimento no último ano. Este serviço também pode se beneficiar da migração para servidores totalmente nacionais, permitindo maior agilidade no cruzamento de dados e informações sobre atendimentos especializados e redes de apoio.

