O telescópio, que ainda está em processo de construção no Chile, conseguiu detectar estruturas antes não observadas nas proximidades da Nebulosa Espiral, conhecida como o «Olho de Deus». Este resultado foi obtido durante os testes do equipamento MOTHRA, projetado para capturar objetos extensos e muito tênues no céu.
Os pesquisadores identificaram faixas de material estelar se dissolvendo no espaço. Esta descoberta foi apresentada em um estudo publicado na revista Nature e demonstra um estágio pouco estudado do ciclo de vida de uma estrela.
Características e objetivos do projeto MOTHRA
O MOTHRA (Modular Optical Telephoto Hyperspectral Robotic Array), instalado nas montanhas do norte do Chile, foi projetado para observar estruturas grandes e fracamente luminosas. Entre seus objetivos estão gases dispersos e matéria escura distribuídos entre galáxias. O projeto prevê o funcionamento simultâneo de 1140 câmeras-lentes; no entanto, durante os testes que levaram à descoberta, apenas 172 lentes foram utilizadas.
Ao direcionar o equipamento para a Nebulosa Espiral, os cientistas notaram faixas muito fracas de detritos ao seu redor. Como observou Peter van Dokkum, um dos autores do estudo e físico da Universidade de Yale: «Vimos esta imagem e pensamos: 'Isto é novo. É algo que nunca vimos antes'». A busca subsequente confirmou as suspeitas: outros pesquisadores também não haviam registrado essas estruturas.
Significado científico da descoberta
A Nebulosa Espiral representa uma fase final na vida de uma estrela. Quando o suprimento de hidrogênio em seu núcleo se esgota, suas camadas externas são expelidas para o espaço. O material expelido se espalha ao redor da estrela, misturando-se com a matéria interestelar ao longo do tempo, composta por gás, poeira e energia existentes entre as estrelas.
A nebulosa foi observada pela primeira vez em 1893 e, devido ao seu grande tamanho e relativa proximidade com a Terra, foi fotografada várias vezes. No entanto, o problema residia nas partes mais fracas de sua estrutura, que escapavam aos equipamentos disponíveis anteriormente. A nova imagem demonstra exatamente essas áreas. Joel Castner, astrônomo e especialista em imagens do Instituto de Tecnologia de Rochester, enfatizou a importância desse tipo de observação: «Raramente vemos material perdido por uma estrela se misturando com os gases entre as estrelas».
Os pesquisadores esperam que o MOTHRA consiga fazer imagens ainda mais profundas após a conclusão da construção. O telescópio terá quase seis vezes mais lentes do que foram usadas durante o teste inicial que gerou a nova imagem. Roberto Abraham, astrônomo da Universidade de Toronto e autor do estudo, descreveu brevemente as capacidades do equipamento: «É tão incrivelmente poderoso que mesmo enquanto o constroem, basta apontá-lo para qualquer coisa e coisas interessantes surgirão».
Embora a criação de imagens impressionantes não seja o objetivo principal do projeto, os pesquisadores pretendem usar o MOTHRA para obter um melhor entendimento dos processos de formação e evolução das galáxias. Planeja-se que o telescópio esteja totalmente pronto para o início de 2027. O primeiro resultado obtido durante sua própria construção já sugere o que acontecerá quando todas as lentes estiverem operacionais.



