A Sony está sob crescente escrutínio na Europa devido às suas práticas de comercialização de jogos digitais no ecossistema PlayStation. As organizações Stop Killing Games e DoesItPlay manifestaram seu apoio a uma ação coletiva que foi instaurada na Holanda. Esta ação acusa a Sony de exercer um domínio excessivo sobre os preços praticados na PlayStation Store.
O processo está sendo conduzido pela entidade holandesa Stichting Massaschade & Consument (SM&C). A alegação central é que a Sony utiliza sua posição dominante no mercado para limitar a concorrência na venda de jogos digitais destinados ao PlayStation.
A relevância desta discussão aumenta com a tendência de diminuição da oferta de mídias físicas. Os responsáveis pela ação argumentam que essa mudança pode intensificar o controle da companhia sobre a distribuição de jogos dentro de seu próprio ecossistema.
O Stop Killing Games se apresenta como uma iniciativa global e descentralizada, cujo objetivo é reforçar a proteção legal dos consumidores contra o descontinuação intencional de videogames. Este movimento agora se une ao DoesItPlay, uma iniciativa focada na conservação e funcionalidade de jogos em formato físico, para respaldar a iniciativa da SM&C.
Em um comunicado, o Stop Killing Games declarou sua intenção de apoiar o processo e de encorajar os jogadores holandeses a se engajarem na ação. A participação dos consumidores pode ser crucial para que a organização promotora do processo consiga demonstrar à Justiça holandesa que ela realmente representa os interesses dos jogadores prejudicados pelas práticas questionadas.
A ação coletiva teve início no começo de 2025 e foca primariamente no modelo de distribuição digital empregado nos consoles da Sony. Para adquirir versões digitais completas de jogos diretamente para o PlayStation, os consumidores são obrigados a usar a PlayStation Store, estrutura que, segundo os proponentes, diminui a disputa entre diversos varejistas.
Os organizadores utilizam o termo «Sony Tax» para descrever o alegado aumento de custos gerado por este modelo. A acusação sustenta que o controle sobre a distribuição permite à Sony exercer poder exagerado no mercado digital, impactando os valores cobrados dos consumidores. Essas alegações fazem parte do processo e aguardam avaliação judicial.
O cerne da controvérsia reside na distinção entre a distribuição de jogos físicos e digitais. No caso da mídia física, múltiplas lojas podem vender o mesmo título, promovendo descontos e competindo por clientes através dos preços. Além disso, existe um mercado secundário de jogos usados, onde os jogadores podem comprar e revender suas cópias.
Em contraste, no ambiente digital do PlayStation, a aquisição de jogos completos ocorre inteiramente dentro do sistema controlado pela própria Sony. Para os grupos envolvidos, isso implica uma menor margem para concorrência na distribuição digital dos títulos.
A discussão transcende apenas o custo de um jogo específico; ela aborda quem detém o poder de comercializá-lo dentro da plataforma. O processo ganhou uma nova camada de complexidade após o anúncio de que a fabricação de mídias físicas para PlayStation será interrompida em janeiro de 2028.
De acordo com a SM&C, a redução da disponibilidade de discos pode solidificar ainda mais a posição da Sony no mercado. Se os consumidores passarem a depender unicamente das compras digitais, a organização argumenta que a empresa poderá obter maior controle sobre vendas, preços e termos comerciais dos jogos disponíveis para seus consoles.
Outro aspecto levantado é o provável declínio do mercado de usados. Ao contrário dos discos, os jogos digitais comprados em uma conta geralmente não podem ser revendidos a terceiros. A debate sobre a PlayStation Store não se limita à Holanda; outras ações contestando práticas comerciais da Sony no mercado digital foram apresentadas em vários países europeus.
No Reino Unido, por exemplo, o processo denominado «PlayStation You Owe Us» também acusa a empresa de condutas anticompetitivas ligadas à venda de conteúdo digital. O aumento dessas ações coincide com a progressiva migração da indústria para a distribuição digital. Para movimentos de preservação como Stop Killing Games e DoesItPlay, a questão abrange não só os preços, mas também a posse, o acesso e a longevidade dos videogames.
É importante notar que o apoio das duas iniciativas não confirma as acusações contra a Sony. O processo seguirá sob análise da Justiça holandesa, que deverá ponderar os argumentos apresentados pela Stichting Massaschade & Consument e a defesa da companhia. Enquanto isso, a organização busca aumentar a participação dos consumidores holandeses na ação coletiva. O desfecho pode ter implicações que vão além da PlayStation Store, pois, à medida que consoles e jogos avançam para um mercado cada vez mais digital, cresce o debate sobre o nível de controle que os fabricantes de plataformas podem exercer sobre preços, distribuição e acesso aos produtos dentro de seus próprios ecossistemas.

