Durante o Fórum do Agronegócio Angola/Brasil, realizado em Luanda, Isaac dos Anjos declarou que Angola não está mais disposto a implorar por investimentos, solicitando que os empresários brasileiros venham ao país. Ele enfatizou que, se não desejarem participar, não precisam estar presentes constantemente para apontar falhas ou dificuldades.
O ministro ressaltou que Angola destinou 800 mil hectares de terra para que empresários brasileiros possam realizar levantamentos, organizar e estabelecer suas próprias empresas, promovendo integração com as comunidades locais.
Dos Anjos mencionou que os investidores brasileiros encontraram apoio na estruturação financeira de diversas entidades, incluindo BNDS (45%), B-B-PROEX (23%), BDA (5%), FDESA (17%) e produtores (10%).
Segundo o ministro, além das terras disponíveis, o país possui água, eletricidade e projetos, mas o progresso não está ocorrendo. Ele alertou que, caso o interesse não avance, os investidores devem buscar outros parceiros.
Isaac dos Anjos expressou a expectativa de que Angola receba do Brasil «tudo e mais alguma coisa», pedindo que o Brasil não se sinta lesado pela disposição dos angolanos em entrar neste vasto mercado de exportação de soja e outros produtos.
Ele reforçou o pedido aos brasileiros para se instalarem, produzirem e exportarem seus lucros para o Brasil, afirmando que as condições oferecidas são as existentes. Ao ser questionado sobre pedidos adicionais, ele aconselhou que quem desejar mais ou melhor deveria ir para a Austrália ou para o próprio Brasil.
O governante angolano criticou a postura de exigir infraestrutura prévia, dizendo que quem exige condições como energia elétrica apenas para ir à fazenda deve ir ao Brasil ou à Austrália, pois nesses lugares as estruturas necessárias já estão estabelecidas.
O líder angolano assegurou que o país africano demonstra grande vontade de avançar. Isaac dos Anjos defendeu uma alteração de mentalidade, observando que, embora antes a principal atividade dos empresários angolanos fosse a importação de alimentos, agora é necessário transitar para uma nova fase.
O responsável pela Agricultura e Florestas de Angola reconheceu que o setor agrícola apresenta riscos e que os investidores buscam segurança, mas reiterou a abertura para colaborações. Ele explicou que a comissão criada por portaria própria foi formada após trazer empresários brasileiros para identificar os obstáculos, e que essa posição reflete o empresariado, e não apenas a criação governamental.
Em resposta, Kátia Abreu, ex-ministra da Agricultura brasileira, anunciou que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) chegará a Angola em breve para apoiar os produtores locais. Abreu salientou a importância da assistência técnica, área em que o Brasil é especialista, para o desenvolvimento dos agricultores.
A empresária brasileira mencionou que no Brasil existe o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para auxiliar empresas urbanas. Além da tecnologia que a Embrapa planeja implementar, Kátia Abreu considerou essencial o acesso a crédito agrícola subsidiado, citando que até grandes produtores sustentáveis no Brasil recebem esse benefício.
Ainda que Angola possua potencial devido às similaridades de solo, vegetação e clima, Kátia Abreu apontou que o fator impeditivo pode ser a segurança jurídica. Ela frisou que o produtor rural é naturalmente cauteloso e necessita de uma estrutura legal clara para poder investir pacificamente no país.

