A Meta começou a enfrentar, nesta quarta-feira (12), na Califórnia, um processo judicial que tem potencial para gerar uma indenização bilionária para a empresa. Procuradores-gerais de diversos estados americanos acusam a companhia de ter projetado o Facebook e o Instagram com o objetivo de manter crianças e adolescentes constantemente conectados às suas plataformas.
Este litígio abrange também a questão da coleta e do uso de dados de indivíduos menores de idade. O desfecho desta disputa pode culminar tanto em pagamentos de indenização quanto em alterações significativas nas redes sociais.
Os estados de Colorado, Kentucky, Califórnia e Nova Jersey alegam que a Meta implementou funcionalidades destinadas a reter usuários jovens nas plataformas e que houve engano aos consumidores sobre a segurança dos seus serviços. Além disso, outros 29 estados afirmam que a empresa coletou e utilizou informações de crianças de maneira ilegal, violando a legislação federal americana.
A própria Meta estima que os prejuízos potenciais podem atingir US$ 1,4 trilhão (o que equivale a cerca de R$ 7,224 trilhões), valor próximo à sua capitalização de mercado atual de US$ 1,5 trilhão (aproximadamente R$ 7,740 trilhões). Embora os procuradores-gerais não tenham divulgado publicamente o montante que pretendem solicitar, a disputa vai além do aspecto financeiro.
Os procuradores-gerais de Colorado, Kentucky, Califórnia e Nova Jersey exigem que a juíza Yvonne Gonzalez Rogers determine modificações nas plataformas em escala nacional. Entre os pedidos estão a alteração do algoritmo de recomendação para que ele priorize o bem-estar em detrimento do engajamento, assim como a modificação de recursos como as notificações.
A empresa refuta todas as acusações. Um porta-voz da Meta declarou que a companhia confia que as evidências demonstrarão seu empenho na proteção dos jovens. Segundo a Reuters, o porta-voz acrescentou que a Meta tem escutado pais, colaborado com especialistas e autoridades policiais, e conduzido pesquisas detalhadas para compreender as preocupações mais relevantes.
Adicionalmente, a Meta argumenta que não poderia ter ludibriado os consumidores ao afirmar que suas plataformas são viciantes, visto que a 'dependência de redes sociais' não constitui uma condição psiquiátrica reconhecida.
Esta ação judicial teve origem em uma investigação que foi deflagrada após o testemunho da ex-funcionária Frances Haugen perante o Senado americano em 2021. Naquela ocasião, ela relatou que a empresa tinha ciência dos riscos potenciais para os jovens e conhecia métodos para tornar os produtos mais seguros, mas optou por não implementar tais mudanças.
O julgamento acontece em um momento em que a Meta está envolvida em um número consideravelmente maior de processos. Mais de 3 mil ações federais contra Meta, Snap, Alphabet e ByteDance foram consolidadas sob a supervisão de Rogers, e há mais de 3,3 mil processos em um tribunal estadual localizado em Los Angeles.
Decisões recentes aumentaram a pressão
Na semana anterior, um juiz do Novo México decidiu que a Meta deveria pagar US$ 567 milhões (cerca de R$ 2,926 bilhões) e modificar suas plataformas, responsabilizando a empresa por contribuir para uma crise de saúde mental infantil naquele estado.
O julgamento em questão apresentará uma característica singular: um júri consultivo será responsável por responder a perguntas específicas definidas pela juíza. Rogers poderá utilizar essas conclusões para guiar sua deliberação, cuja previsão é para após o término do julgamento, em outubro. O resultado final poderá estabelecer os limites da exposição financeira da Meta e definir as fronteiras para intervenções judiciais relativas ao funcionamento das redes sociais voltadas ao público jovem.
