De acordo com o relatório do Cimi intitulado «Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil -- Dados 2025», houve um aumento de 22% nos assassinatos de indígenas. Os registros de homicídios concentraram-se nos estados de Roraima (com 82 casos), Amazonas (47 casos) e Mato Grosso do Sul (37 casos).
Além dos homicídios, o documento contabilizou um total de 474 ocorrências de violência direcionada aos povos indígenas. Este número engloba 38 tentativas de assassinato, 46 incidentes de racismo e discriminação étnico-cultural, 33 casos de lesões corporais, 25 situações de violência sexual e 18 ameaças de morte.
A taxa de mortalidade infantil também apresentou elevação, subindo 11% em 2025, atingindo 1.024 óbitos de bebês e crianças indígenas com até quatro anos, sendo Amazonas, Roraima e Mato Grosso os estados com maior incidência de casos.
Dos óbitos infantis registrados, 57%, totalizando 586 casos, foram atribuídos a causas consideradas evitáveis. Entre estas, destacam-se gripes e pneumonias (responsáveis por 104 mortes), doenças infecciosas intestinais (85) e desnutrição (32), conforme detalhado pelo Cimi.
O Cimi estabelece uma ligação entre este quadro de violência e o ambiente de insegurança territorial enfrentado pelos povos originários, caracterizado por disputas de terras, invasões e entraves na demarcação de seus territórios.
Em 2025, 897 das 1.443 terras e reivindicações territoriais indígenas permaneciam aguardando alguma providência administrativa, enquanto 582 não possuíam sequer medidas iniciais para dar andamento à demarcação.
O relatório descreve diversos tipos de ataques, como confrontos armados contra comunidades, assassinatos em regiões contestadas pela demarcação e invasões de terras indígenas perpetradas por garimpeiros, madeireiros, caçadores ou pescadores.
O CIMI ressalta no relatório que, enquanto os povos indígenas lutam pela posse da terra e enfrentam vulnerabilidade e violência, as ações de invasores persistem mesmo em terras já demarcadas, apesar das operações de desintrusão realizadas pelo governo federal.
Adicionalmente, o relatório menciona impasses existentes no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal brasileiro referentes a teses jurídicas e legislações que dificultam a concessão de novas demarcações garantidas aos indígenas.
Os dados sobre mortes e assassinatos foram coletados pelo Cimi utilizando o Sistema de Informação sobre Mortalidade, secretarias estaduais de saúde e a Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena.
Outro dado relevante é o registro de 215 suicídios de indígenas em 2025, representando um crescimento de aproximadamente 3,4% em comparação com 2024. Destes, 41% ocorreram entre indígenas de 20 a 29 anos e 34% entre aqueles com até 19 anos.
A violência resultante da omissão do poder público somou 366 casos, incluindo 121 por ausência de suporte na área da saúde, 111 na educação, 58 por carência de assistência geral, 62 mortes devido à falta de assistência sanitária e 14 episódios ligados à disseminação de álcool e outras substâncias ilícitas.