Apesar dos problemas contínuos com escassez de água, fornecimento não confiável e infraestrutura obsoleta em várias comunidades, o vice-ministro de Recursos Hídricos e Saneamento, David Makhubo, garantiu que a África do Sul não esgotará suas reservas de água até 2030.
Estas declarações foram feitas ontem na Conferência Internacional sobre Problemas e Soluções Hídricas (ICWCS 2026), realizada com a participação da Universidade Zululand, Universidade de Chang'an e Centro de Pesquisa em Ciência e Tecnologia da Água. A conferência reuniu especialistas, pesquisadores e formuladores de políticas para encontrar soluções para a crescente pressão hídrica.
A confiança de Makhubo veio em meio a problemas persistentes com a água na África do Sul. Em Gauteng, houve interrupções nos últimos meses após falhas nas estações de bombeamento da Rand Water e um grande rompimento de tubulação. Em KwaZulu-Natal, os déficits persistem, e algumas comunidades dependem de cisternas de emergência enquanto projetos de longo prazo para a criação de infraestrutura principal são desenvolvidos.
Makhubo enfatizou a diferença entre esses déficits locais e a perspectiva de exaustão total dos recursos hídricos do país. Ele reconheceu que a África do Sul já enfrenta déficits locais em certas bacias hidrográficas, causados pelas mudanças climáticas, aumento do consumo e demanda, crescimento populacional, crescimento econômico e migração.
O principal desafio, segundo ele, é encontrar fontes adicionais para satisfazer a crescente demanda. Ele afirmou que o país precisa ir além da dependência tradicional de reservatórios, apontando para águas subterrâneas, dessalinização, reutilização e recuperação de água como elementos chave da futura estratégia de abastecimento de água do país.
Ele observou que as águas subterrâneas continuam sendo uma das melhores fontes disponíveis, mas seu uso sustentável requer mais pesquisas e mapeamento de aquíferos. Makhubo ressaltou que as águas subterrâneas não são uma fonte de baixa qualidade e podem ser estudadas, pois o país est' 'perseguindo cada gota de água'.
Além disso, Makhubo chamou a atenção para a dessalinização, especialmente considerando a extensa costa da África do Sul, embora tenha reconhecido as necessidades energéticas e as complexidades de gerenciamento de salmoura associadas. Ele também enfatizou a necessidade de uso mais ativo de águas residuais tratadas, afirmando que 'a reutilização não é água de baixa qualidade'.
Ele acrescentou que os avanços científicos permitem usar uma gota milhões de vezes, mantendo o nível de qualidade necessário. Garantir o futuro hídrico do país exigirá uma mudança fundamental na abordagem de gestão de recursos hídricos, incluindo a redução de perdas e o aumento da eficiência. Makhubo concluiu que 'não há luxo em desperdiçar uma gota de água, há apenas uma gota para ser preservada'.
A vice-canceler e professora Nokutula Winifred Kunene observou que a conferência deve transformar pesquisas e discussões em resultados práticos. Ela declarou que a África do Sul, bem como a região mais ampla da SADC e muitos países representados, enfrentam pressão crescente tanto na quantidade quanto na qualidade de seus recursos hídricos. Kunene enfatizou que, para a África do Sul, a segurança hídrica não é apenas um problema ambiental, mas um imperativo para o desenvolvimento, a economia e a sociedade.
Kunene insistiu que a escala da crise exige cooperação entre governo, cientistas, indústria, instituições de água e público. Ela salientou que essas tarefas não podem ser resolvidas apenas pelo governo ou universidades isoladamente, mas exigem a interação entre ciência, governo, indústria, instituições de água, comunidades e sociedade civil.
O Dr. Patrick Nonjola, diretor do Conselho Nacional de Pesquisa (NRF), afirmou que é hora do mundo passar da conscientização da crise para a ação. Ele acredita que o mundo não carece de consciência sobre a crise hídrica, mas sim de coragem, cooperação e competência para agir na escala e velocidade necessárias. Nonjola pediu que a conferência ajudasse o setor a passar da identificação de problemas para a implementação de soluções sustentáveis, para que o legado deste encontro seja refletido em rios mais saudáveis, instituições fortes, comunidades resilientes e um futuro mais seguro em termos de água para todos.
O problema da água está ligado não apenas ao fornecimento, mas também à qualidade da água. Uma investigação recente da Comissão de Direitos Humanos da África do Sul (SAHRC) revelou sérias falhas na infraestrutura de esgoto e poluição em algumas áreas do Cabo Oriental, incluindo um nível de E. coli de 616.000 por 100 mililitros em West Bank. A Comissão exigiu o reforço do monitoramento e medidas corretivas urgentes.
Essas descobertas surgiram em meio aos esforços do presidente Cyril Ramaphosa para acelerar a resposta governamental através do Programa Nacional de Aceleração do Acesso à Água, direcionado às comunidades em Gauteng, KwaZulu-Natal e Cabo Oriental. Ramaphosa informou que a abordagem será semelhante à resposta do governo à crise energética. O governo afirma estar respondendo a problemas de curto e longo prazo por meio do Plano Nacional de Ação de Recursos Hídricos, que se concentra na estabilização de sistemas vulneráveis, melhoria do funcionamento municipal, aceleração da implementação de infraestrutura, redução de perdas de água e diversificação de fontes.