Famílias de refugiados em Durban foram forçadas a passar onze semanas acampadas na calçada em frente ao Departamento de Assuntos Internos, na Rua Che Guevara. Entre as pessoas nessas condições difíceis estavam bebês, crianças, idosos e pessoas doentes, o que levou os defensores dos direitos dos refugiados a exigir abrigo, alimentos e cobertores de emergência.
Essas famílias informaram à publicação IOL sobre a necessidade urgente de comida, cobertores quentes, roupas, água e medicamentos. Organizações humanitárias e voluntários estão prestando ajuda com itens básicos de primeira necessidade enquanto as pessoas continuam vivendo nas ruas.
Deborah Ewing, da campanha Siyafana Sonke Action Campaign, que luta contra o xenofobia e a violência contra migrantes, observou o agravamento da situação, pois o governo deixou o fornecimento de necessidades básicas para a sociedade civil.
Ela declarou: «A situação das famílias de refugiados presas em frente ao Departamento de Assuntos Internos na Rua Che Guevara por 11 semanas está piorando a cada dia. São todas pessoas cujo status legal na África do Sul foi verificado e reverificado».
Segundo Ewing, os refugiados e requerentes de asilo foram forçados a deixar suas casas, seus bens foram roubados, e seus negócios foram fechados e saqueados. Ewing também desmistificou a ideia de que refugiados documentados são proibidos de trabalhar ou comercializar na África do Sul.
Ela enfatizou que a Lei de Refugiados permite que pessoas com permissões adequadas conduzam negócios para autossustentação e contribuição para a economia local, observando que seus meios de subsistência foram destruídos.
De acordo com Ewing, as famílias não exigem moradia permanente, mas sim abrigo de emergência que permitiria iniciar o processo de reintegração de longo prazo. Ela acrescentou que a cidade não conseguiu fornecer nem um local temporário onde os voluntários da Siyafana pudessem prestar serviços vitais, forçando a sociedade civil e indivíduos privados a ajudar com comida, água, roupas, cobertores e medicamentos.
O deslocamento prolongado também afetou negativamente a vida das crianças, algumas das quais não podem frequentar a escola. Ewing relatou que tentativas de alguns refugiados de retornar às suas comunidades resultaram em novos ataques, com alegações de que a polícia estava inerte ou se recusava a registrar queixas. «Eles são tratados como criminosos, e não como vítimas de crimes», disse Ewing.
A organização Ubuntu Army indicou que esta situação expôs um problema mais amplo de incapacidade de combater o racismo e a xenofobia enfrentados pelos refugiados. «Os refugiados da Rua Che Guevara são uma consequência inconveniente do racismo que ninguém quer admitir», afirmou a organização.
A Ubuntu Army também declarou que os refugiados foram abandonados pelo governo local, pelos programas de trabalho com refugiados em níveis nacional e internacional, bem como por organizações religiosas. A organização relatou ter observado durante nove semanas as organizações religiosas se afastarem das famílias, apesar dos pedidos de ajuda. «Embora nossa equipe tenha pedido a elas que abrigassem essas famílias, cada organização ignorou nossos e-mails e chamadas, ou respondeu com algo ainda mais condenatório: seus pensamentos e orações embrulhados em logística educada», informou a Ubuntu Army. Ela esclareceu que as respostas das organizações variavam em formulação, mas não em essência.
O Bispo Rafael Bahebwa Kabambire, líder do acampamento, declarou que os refugiados necessitam de intervenção urgente do governo sul-africano, especialmente porque as famílias continuam dormindo na rua sem comida ou abrigo suficientes. «Precisamos da intervenção do governo sul-africano. Precisamos de abrigo temporário e precisamos de comida, porque o que estamos passando não é humano», disse Kabambire. Ele observou que aqueles responsáveis pelas circunstâncias que forçaram os refugiados a deixar suas casas não enfrentam as mesmas dificuldades. «Os políticos estão em suas casas. Aqueles que criaram isso, grupos de autodefesa, desfrutam de suas vidas, enquanto as pessoas sofrem», acrescentou ele. Kabambire concluiu que as famílias simplesmente precisam de ajuda em uma situação que elas não criaram. «Nós só precisamos de ajuda porque estamos em uma situação que nunca criamos. Isso foi preparado em algum lugar, e nós pagamos pelas consequências».
Reação do município
O município de Eketwini informou que o grupo foi inicialmente levado do Centro Diocesano para o escritório de Imigração do Departamento de Assuntos Internos em 21 de maio para verificação de documentação. O município enfatizou: «É importante notar que este grupo foi levado do Centro Diocesano para o escritório de Imigração do Departamento de Assuntos Internos em 21 de maio para verificar o status de sua documentação».
De acordo com o município, 457 pessoas foram verificadas, sendo apenas três consideradas sem documentos válidos. O município declarou: «Dos 457 indivíduos verificados, apenas três foram considerados sem documentação válida».
O município informou que aos que possuíam documentos legais foi oferecido o retorno aos locais de residência e a reintegração em suas comunidades. «Durante essa interação, o grupo recebeu duas opções: reintegração na comunidade ou alojamento no Centro de Repatriação de Lindela. O grupo recusou ambas as opções», detalhou o município.
Ele também observou que os refugiados agora exigem que a cidade forneça moradia, apesar da ocupação ilegal presumida de espaço público. «O grupo agora exige que o município forneça moradia na cidade. Ao continuar a ocupar ilegalmente espaços públicos, eles violam os regulamentos municipais», afirmou o município.
O município informou que o grupo continuou vivendo na rua até 12 de junho, quando foi encontrado por uma delegação do Comitê Interdepartamental liderada pelo Ministro da Justiça e Desenvolvimento Constitucional, Mamoloko Kubayi. A necessidade básica dos refugiados permanece: proteção contra intempéries e um local seguro para morar até que uma solução para o seu deslocamento seja encontrada.


