No âmbito da celebração do Mês da Mulher na África do Sul, ativistas insistem que o apoio deve começar com a capacidade de ouvir e acreditar nas sobreviventes, bem como com o fornecimento de locais seguros para mulheres vítimas de violência, para que possam procurar ajuda.
O Mês da Mulher tradicionalmente serve como um tempo para reconhecer a resiliência, as conquistas e a contribuição das mulheres em suas famílias, locais de trabalho e comunidades. No entanto, este período também é uma oportunidade para refletir sobre a importância de fornecer às mulheres acesso à compreensão, apoio e abrigos seguros em momentos difíceis da vida.
Para muitas mulheres, o apoio necessário pode ser algo simples: um amigo que se importa, um membro da família que ouve sem julgar, ou alguém que lhes lembra que não precisam enfrentar as dificuldades sozinhas.
A situação se complica significativamente para as mulheres que sofrem violência de gênero. Sabrina Walter, fundadora da organização Women For Change, informou ao IOL News que muitas vítimas permanecem em silêncio devido ao medo, isolamento e incerteza que as impedem de pedir ajuda.
Walter observou: «Quando alguém sofre violência de gênero, frequentemente vive em constante medo e não se sente seguro o suficiente para contar sua história ou pedir ajuda». Ela acrescentou que muitas sobreviventes se isolam de amigos e familiares, enquanto outras enfrentam controle financeiro, manipulação emocional ou o medo de que deixar um relacionamento abusivo possa colocá-las em maior perigo.
«Um dos momentos mais perigosos para uma mulher em um relacionamento abusivo é quando ela decide ir embora», declarou Walter. Segundo ela, o acesso a um ambiente seguro e de apoio dá às mulheres a oportunidade de falar abertamente, pensar claramente e começar a planejar os próximos passos sem medo imediato.
Ela enfatizou que, para muitas sobreviventes, o primeiro passo para a cura é simplesmente saber que alguém acredita nelas. «Vemos isso todos os dias quando as sobreviventes procuram a Women For Change porque sentem que não há mais para onde recorrer. Para muitas, é a primeira vez que alguém diz: 'Eu acredito em você, e você não está sozinha'. Essas palavras podem ser o início da jornada da sobrevivente rumo à segurança e à cura», disse Walter.
Walter refutou o mito comum de que as mulheres escolhem não sair de relacionamentos abusivos. Ela explicou que, na verdade, a saída é frequentemente o período mais perigoso nesses relacionamentos. Muitas mulheres enfrentam sérios obstáculos, incluindo dependência financeira, preocupações com os filhos, falta de transporte e incerteza sobre para onde irão após sair.
«Sair nunca deve significar escolher entre violência e moradia sem teto», afirmou Walter. No entanto, ela constatou que, para um número excessivo de mulheres na África do Sul, essa é uma realidade devido à falta de lares seguros ou lugares para onde elas possam ir quando precisam.
Além dos problemas práticos, existem outros obstáculos. Muitas sobreviventes perderam a confiança nas instituições encarregadas de protegê-las após experiências anteriores com a polícia, tribunais ou outros serviços de apoio. Outras temem o julgamento ou continuam a sofrer traumas emocionais causados pela violência. Portanto, na opinião de Walter, é crucial que os serviços de apoio estejam sempre centrados na sobrevivente, acolhendo as mulheres onde elas estão, sem julgamento, e reconhecendo que o caminho de cada sobrevivente é único.
Embora abrigos e organizações continuem a fornecer ajuda vital, a demanda continua a exceder os recursos disponíveis. «Existem muitos abrigos incríveis e casas seguras que realizam um trabalho salvador, mas a realidade é que a demanda excede muito os recursos disponíveis», observou Walter. Ela acrescentou que as mulheres precisam de mais do que apenas abrigo de emergência para reconstruir suas vidas. «Precisamos de muito mais abrigos em todo o país. Também precisamos de opções de moradia de longo prazo, pois a cura e a reconstrução da vida não acontecem em três meses».
Walter também apelou para o fortalecimento da coordenação entre polícia, instituições médicas, abrigos e assistentes sociais para facilitar o acesso das sobreviventes ao apoio. «Precisamos de melhor coordenação entre polícia, serviços médicos, abrigos e assistentes sociais para que as sobreviventes não tenham que contar suas histórias repetidamente ao tentar navegar em diferentes sistemas», disse ela.
Ela também enfatizou a necessidade de financiamento sustentável para as organizações que ajudam as sobreviventes. «Não podemos esperar que as organizações respondam ao que foi classificado como desastre nacional sem o financiamento e os recursos necessários para resolver esta crise de direitos humanos», declarou Walter.
A necessidade de apoio acessível é refletida na Linha de Apoio às Sobreviventes da Women For Change no WhatsApp, que recebeu mais de 30.000 mensagens de sobreviventes desde o lançamento em abril. «Isso nos diz duas coisas: as mulheres pedem ajuda e estão dispostas a procurar quando o apoio está disponível», concluiu Walter. Ela acredita que garantir o acesso à ajuda é responsabilidade de todos os cidadãos.
À medida que a África do Sul celebra o Mês da Mulher, Walter acredita que a celebração das mulheres também deve significar a criação de comunidades onde elas se sintam respeitadas, apoiadas e seguras. Às vezes, isso começa com uma conversa simples, uma escuta atenta ou um lembrete a alguém de que não precisa carregar o fardo da vida sozinho.