O autor compartilha suas reflexões sobre o filme baseado na epopeia 'Odisseia', afirmando que, embora o conteúdo em si seja notável, esta adaptação ficou aquém das expectativas. Ele observa que o filme é uma narrativa do mito de Homero, apresentada no estilo cinematográfico único de Nolan.
Apesar de o autor deixar de lado os elogios sobre como Nolan superou James Cameron e Steven Spielberg, bem como as críticas dos defensores de Elon Musk, sua principal objeção se concentra no próprio gênio do diretor, que, na opinião do autor, demonstra sinais de insegurança, apesar de ser reconhecido como um gênio.
O autor enfatiza que a adaptação da 'Odisseia' é uma tarefa complexa, pois é uma epopeia que revela o caráter humano, com raízes gregas, mas cujos temas são universais para qualquer sociedade. Ele afirma não se opor às chamadas mudanças 'wok', como a alteração do papel de Helena ou o casting de Afrodite, desde que a essência da história seja mantida.
No entanto, o principal problema, segundo o crítico, reside no fato de que Nolan 'esvaziou internamente' os personagens principais, apesar da participação de atores brilhantes. Por exemplo, Matt Damon mudou significativamente sua imagem, perdendo peso, aprendendo a pilotar um navio viking e enfrentando dificuldades físicas durante as filmagens. No entanto, na tela, Odisseu parece apenas um homem abatido e sobrecarregado.
O autor acredita que a verdadeira traição reside nessa melancolia. Odisseu, interpretado por Damon, parece um homem consumido pela culpa pelo massacre em Troia, semelhante a um cristão carregando uma cruz. Isso, na visão do crítico, não corresponde à imagem de Odisseu da epopeia de Homero, que era um polítropos — um homem que conhecia muitos caminhos e sabia encontrar uma saída em qualquer situação, onde o método era secundário ao retorno para casa.
Nolan substituiu essa astúcia moral e perspicácia por um sentimento de arrependimento, visto que o arrependimento é visualmente percebido como profundidade, algo que, na opinião do autor, está ausente. De forma análoga, na cena com Argos, o velho cão que espera seu dono após longas viagens, Homero usou apenas quatro versos para evocar uma forte resposta emocional. Nolan, por outro lado, cria uma atmosfera, faz o espectador esperar por esse momento comovente, mas ele simplesmente não acontece.
Em última análise, o autor se pergunta se isso está relacionado à edição do filme de três horas, ao orgulho (hybris) ou ao que Nolan transmite através do filme: 'Eu sou Nolan. Não preciso explicar nada'. Essa voz interior, como um tambura metafórico, ressoa sob cada quadro.

