Um levantamento realizado pela MapBiomas, utilizando imagens de satélite, revelou que a área dedicada à agropecuária no território brasileiro aumentou de 18% para 32% no período compreendido entre 1985 e 2025.
Ao longo desses 41 anos, aproximadamente um terço do território nacional experimentou alguma alteração em sua cobertura ou uso do solo, enquanto 67% manteve-se estável. No total, 241 milhões de hectares sofreram transições de cobertura e uso do solo, dos quais 136 milhões de hectares de vegetação nativa foram transformados em áreas de agropecuária.
A Amazônia foi uma das regiões mais afetadas, perdendo 53,9 milhões de hectares de vegetação nativa nesse intervalo. O Cerrado também registrou grandes perdas, totalizando 51,7 milhões de hectares, sendo estes os maiores declínios absolutos entre os biomas, conforme apontado pela MapBiomas. Em termos percentuais, Cerrado e Pampa apresentaram as maiores reduções, atingindo 34% e 32%, respectivamente. A Mata Atlântica viu uma diminuição de 12%, mas ainda possui a menor proporção de vegetação nativa.
Apesar da tendência geral de perda, o ritmo de modificação das áreas naturais tem desacelerado recentemente. Em 2025, o Brasil registrou menos de um milhão de hectares desmatados, o que representa uma queda de 20,6% em comparação com 2024 e marca o primeiro registro abaixo de um milhão de hectares desde o início da série MapBiomas Alerta em 2019.
Em 2025, a agropecuária ocupava 273,3 milhões de hectares, um aumento significativo em relação aos 150,2 milhões de hectares registrados em 1985. Desse total, as pastagens correspondiam a 60,6% da área, e a agricultura ocupava 66,5 milhões de hectares.
Os dados coletados alertam para a maior vulnerabilidade do uso do solo frente a eventos climáticos extremos, como inundações e secas, cujos efeitos são intensificados durante os anos de El Niño. A análise cruzada dos mapas de cobertura e uso do solo com dados de precipitação demonstra que os impactos do El Niño são mais severos nas regiões dominadas pela agropecuária do que nas áreas cobertas por florestas.
Essa disparidade é particularmente notável na Amazônia, de acordo com o levantamento, que examinou três episódios recentes de El Niño de alta intensidade: 1997/98, 2015/16 e 2023/24. Os resultados indicam que os biomas brasileiros estão enfrentando secas ou chuvas progressivamente mais intensas durante os períodos de El Niño mais fortes, uma situação esperada para 2026. Entre os três eventos analisados, a Amazônia demonstrou o maior déficit de precipitação entre todos os biomas.