Um foguete Long March 7A sofreu uma explosão aproximadamente 85 segundos após iniciar seu voo a partir do centro espacial de Wenchang, localizado na ilha de Hainan, China, nesta segunda-feira (10). Autoridades chinesas confirmaram o insucesso da missão devido a uma anomalia ocorrida durante o trajeto.
De acordo com um comunicado da agência estatal chinesa Xinhua, reportado pela Reuters, o lançamento ocorreu às 20h02, horário de Pequim (equivalente a 9h02 em Brasília), transportando o satélite ChinaSat-4B. A causa exata dessa falha ainda está em fase de análise e investigação.
Vídeos capturados por pessoas próximas ao espaçoporto e divulgados em redes sociais demonstram a destruição do foguete cerca de 85 segundos após a partida. Jonathan McDowell, astrônomo do Center for Astrophysics, Harvard & Smithsonian, analisou as imagens e indicou que o veículo foi totalmente destruído em baixa altitude e velocidade, impedindo que tanto o satélite quanto os detritos alcançassem a órbita.
Este incidente interrompe uma série de lançamentos bem-sucedidos do Long March 7A desde sua estreia. Um relatório da China National Radio, que foi posteriormente retirado de uma página no Baidu, identificou a carga como Zhongxing-4B, também conhecido como ChinaSat-4B, e o veículo como uma variação modificada do Long March 7, outro nome usado para o Long March 7A.
O ChinaSat-4B pertence à mesma linha do ChinaSat-4A, lançado em 2024. Com base nas informações disponíveis, a China descreveu o satélite anterior como responsável por fornecer serviços de transmissão de voz, dados, rádio e televisão. Satélites de comunicação em órbitas elevadas são capazes de transmitir sinais de TV e telecomunicações para vastas áreas, incluindo locais remotos sem infraestrutura terrestre.
O Long March 7A é classificado como um foguete de porte médio, projetado para levar cargas a órbitas altas, incluindo missões destinadas à órbita geoestacionária. Esta explosão de segunda-feira marca a primeira falha do Long March 7A desde sua estreia em março de 2020, quando uma anomalia de voo também resultou no fracasso da missão. Após esse evento, o foguete retomou suas operações com êxito, realizando mais de doze lançamentos bem-sucedidos antes deste ocorrido.
Implicações da Falha
A falha pode desencadear verificações em outros lançamentos chineses caso a investigação revele problemas ligados a componentes compartilhados, processos de fabricação ou operações realizadas no centro espacial de Wenchang. Além disso, a China está se preparando para a missão lunar Chang’e-7, que será lançada pelo Long March 5 a partir de Wenchang. As autoridades chinesas anunciaram oficialmente que esta missão ocorrerá no segundo semestre de 2026, embora observadores sugiram uma possibilidade de janela de lançamento ainda neste mês. O Long March 5 é um foguete de maior porte e distinto do Long March 7A. A Chang’e-7 visa explorar o polo sul da Lua, incluindo crateras permanentemente sombreadas que podem conter depósitos de gelo de água.

