Os farmacêuticos de países de língua portuguesa solicitaram a criação de uma Ordem dos Farmacêuticos em Moçambique. Segundo o secretário-geral da organização, Ricardo Santos, essa Ordem seria fundamental para lidar com os desafios da saúde pública, da política de medicamentos, da segurança dos pacientes e da ampliação do acesso aos cuidados de saúde.
Através de um comunicado, a AFPLP enviou uma carta às autoridades moçambicanas defendendo a instituição da Ordem dos Farmacêuticos de Moçambique. A organização enfatizou a relevância dessa medida para valorizar a profissão e fortalecer a qualidade e a segurança dos serviços de saúde, comprometendo-se a apoiar o processo.
Esta posição foi formalmente comunicada pela AFPLP ao Presidente da República, à presidente da Assembleia da República e ao ministro da Saúde, com o apelo para que a Ordem funcione como um órgão autônomo de regulação profissional.
A AFPLP argumenta que estabelecer a Ordem dos Farmacêuticos de Moçambique representa um avanço significativo tanto para o desenvolvimento da área farmacêutica quanto para o fortalecimento deste setor. A instituição, que agrupa associações de profissionais de países lusófonos como Moçambique, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Portugal, ressalta o papel desses órgãos na regulação independente da profissão, visando garantir padrões elevados de ética, responsabilidade, qualificação e independência no exercício profissional.
Para a AFPLP, a existência de uma Ordem em Moçambique também ajudaria a aumentar a confiança dos cidadãos e das instituições nos profissionais, além de promover uma maior participação dos farmacêuticos na formulação e execução das políticas de saúde e de medicamentos.
A instituição lusófona declarou sua disposição em auxiliar as autoridades moçambicanas durante o processo de criação da futura ordem profissional. Essa iniciativa é vista como uma oportunidade para Moçambique demonstrar seu empenho na valorização e no progresso da profissão farmacêutica, especialmente no XV Congresso Mundial dos Farmacêuticos de Língua Portuguesa, que ocorrerá em Maputo de 25 a 27 de novembro deste ano.
Em 23 de junho de 2025, a Lusa reportou que a Ordem dos Farmacêuticos de Portugal ofereceria suporte à capacitação de farmacêuticos em Moçambique. Este apoio incluía a criação de campanhas de comunicação sobre a importância desses profissionais e o uso adequado de medicamentos, conforme informado pela presidente da Afarmo, Bélia Muchanga.
Um protocolo foi assinado em Maputo, estabelecendo uma colaboração entre a Afarmo, a Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos (Anarme) moçambicana e a Ordem dos Farmacêuticos de Portugal. Este acordo previa que a Ordem portuguesa auxiliaria os profissionais moçambicanos no desenvolvimento de ações concretas para a regulamentação do setor, conforme detalhado por Bélia Muchanga.
Além de capacitar os profissionais moçambicanos na criação de materiais educativos para rádio, televisão e plataformas digitais, Portugal planejava apoiar o país em iniciativas de conscientização sobre o papel do farmacêutico e o uso racional de fármacos, combatendo especificamente a automedicação. Bélia Muchanga acrescentou que o protocolo abrange o auxílio na confecção de mensagens educativas destinadas às unidades de saúde sobre esses mesmos temas.
Bélia Muchanga, além de liderar a Afarmo, assumiu a presidência da AFPLP em 2024, organização que engloba mais de 400 mil profissionais. A Associação dos Farmacêuticos de Moçambique (Afarmo) possui 250 associados, sendo que há um total de 1.700 farmacêuticos registrados na Anarme, segundo dados fornecidos por Bélia Muchanga.

