Fontes da população local relatam que incidentes de saques em campos agrícolas estão ocorrendo em Montepuez desde sábado. Os atos de vandalismo atingiram culturas de mandioca seca, milho e feijão em pelo menos três machambas, localizadas em uma área de produção a aproximadamente cinco quilômetros da comunidade, ao longo da estrada R398.
Uma fonte, baseada em Montepuez e falando com a Lusa, informou que os indivíduos continuam a circular na área de Nacololo, e no sábado, alguns agricultores constataram que seus pertences haviam sido subtraídos das machambas.
Os relatos indicam que a presença desses supostos rebeldes na região tem gerado um clima de apreensão entre os moradores, que manifestam receio de retornar aos seus campos de cultivo. Outra fonte reforçou que, embora não tenha havido registro de vítimas, a movimentação dos supostos insurgentes está causando insegurança nas comunidades locais, pois as pessoas temem ir às machambas por receio de possíveis ataques.
Em um contexto mais amplo, os incidentes de segurança no norte de Moçambique, principalmente relacionados a ataques de insurgentes em Cabo Delgado, tiveram um aumento em junho, totalizando 73 casos, com 10 mortes e 72 sequestros, conforme um relatório da ONU divulgado no final de julho.
A província de Cabo Delgado, rica em gás natural, é cenário de uma insurgência armada iniciada em 2017. Um relatório mais recente da Organização das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) apontou o crescimento dos incidentes em junho, superando os 71 registrados em maio, no norte de Moçambique. Este relatório enfatizou a «violência contra civis» como o tipo de incidente predominante, afetando especialmente os distritos com maiores necessidades, o que compromete a proteção civil, restringe o acesso humanitário e provoca deslocamentos populacionais.
Conforme o documento da OCHA, 44 ocorrências (59%) envolveram violência, resultando em 10 mortes de civis e no sequestro de 72 pessoas, supostamente para fins de recrutamento forçado, trabalho forçado ou resgate. A OCHA também detalhou que esses incidentes incluíram «ataques a aldeias, saque de bens civis e humanitários, destruição de propriedade civil, ameaças e extorsão».
Adicionalmente, dados anteriores fornecidos pelo Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED) registraram 2.408 eventos violentos desde o início da insurgência, sendo que 2.224 deles envolviam elementos ligados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM), culminando em mais de 6.600 mortes.



