Nomcebo Dlamini, uma defensora ativa da saúde pública, defende reformas políticas para combater os danos do álcool e capacitar as comunidades em toda a África do Sul. Para Dlamini, a defesa de interesses vai além da simples conscientização; visa influenciar sistemas e políticas que possam proteger as comunidades contra danos.
Aos 53 anos, Dlamini ocupa o cargo de Diretora de Campanha na South African Alcohol Policy Alliance (SAAPA-SA). Nesta função, ela lidera a campanha nacional 'O Verdadeiro Preço do Álcool', que promove métodos baseados em evidências científicas para reduzir os danos associados ao consumo de álcool. Seu trabalho abrange políticas de consumo de psicoativos, defesa da saúde pública e engajamento governamental, com foco especial na proteção de mulheres, crianças e jovens.
Dlamini enfatiza que as políticas devem priorizar a proteção das pessoas acima do lucro, e que a advocacia deve garantir que dados científicos, experiência comunitária e dignidade humana permaneçam no centro do processo de tomada de decisões. Em sua opinião, um dos principais problemas permanece sendo a falta de compreensão da magnitude do dano causado pelo álcool. Ela afirma que o álcool é um problema de saúde pública primário na África do Sul devido à falta de consciência sobre o impacto real desta substância nas comunidades locais.
O álcool é classificado como carcinógeno do Grupo 1, o que significa que há provas suficientes de sua capacidade de causar câncer. Dlamini observa que muitos sul-africanos não compreendem totalmente esse risco, comparando o álcool com tabaco e amianto. Além disso, ela aponta os custos econômicos associados aos danos do álcool, observando que entre 10% e 12% do PIB da África do Sul é gasto para lidar com as consequências desse fenômeno.
Os danos do álcool também afetam negativamente os lares e as comunidades através da violência de gênero. Dlamini declara que o álcool contribui efetivamente para quase todos os casos de violência de gênero no país, acrescentando que, nesses casos, o bebedor pode ser o agressor, a vítima ou ambos.
Ela expressa orgulho por ter criado a campanha 'O Verdadeiro Preço do Álcool' como um movimento nacional que une pesquisadores, profissionais de saúde, organizações civis, líderes tradicionais, jovens e comunidades locais. Em vez de atribuir a responsabilidade pelos danos do álcool apenas a indivíduos, a campanha foca em políticas e sistemas que afetam a disponibilidade, o custo e o marketing do álcool.
A abordagem de Dlamini à advocacia foi formada após sua nomeação ao órgão central de drogas do Parlamento, onde mais tarde foi eleita vice-presidente. Este cargo permitiu-lhe supervisionar a implementação do Plano Nacional de Combate às Drogas da África do Sul e interagir diretamente com o governo sobre políticas de consumo de psicoativos. Essa experiência reforçou sua convicção de que dados por si só não são suficientes — é necessária uma advocacia eficaz para transformar pesquisas em ações reais.
Essa experiência a levou, finalmente, a se tornar diretora de campanha na SAAPA-SA, onde trabalha promovendo políticas alcoólicas baseadas em evidências e fortalecendo medidas preventivas. Um dos maiores desafios profissionais para ela é unir diversos setores. Ela acredita que resolver o problema dos danos do álcool exige colaboração entre saúde, desenvolvimento social, educação, aplicação da lei, autogoverno local e muitos outros intervenientes. Apesar das dificuldades causadas por interesses concorrentes, incluindo influência comercial, ela insiste que mudanças significativas na política exigem persistência.
Sua determinação foi forjada muito antes do início de sua carreira em advocacia. Nascida em 10 de junho de 1973, Dlamini cresceu em Eswatini, com pai swazi e mãe xhosa. Embora a família morasse em Eswatini, ela e seus irmãos passavam quase todas as férias escolares com a família estendida em Soweto, especialmente em Orlando East e Zola. A família de sua mãe tinha um forte histórico de atividade política, e a mudança da família para Eswatini foi parcialmente motivada pela realidade política do apartheid na África do Sul. A vida entre Eswatini e África do Sul apresentou Dlamini a diversas culturas e lhe deu uma visão precoce sobre desigualdade, justiça e a importância de as pessoas comuns lutarem por mudanças.
Sendo a caçula em uma grande família extensa, seu pai faleceu quando ela tinha seis anos, e sua mãe criou a família com força, fé e compaixão. Sua mãe ensinou-lhe que cada pessoa tem uma voz que merece ser ouvida e a encorajou a se expressar, mesmo que suas opiniões diferissem das dos outros. Uma lição permaneceu com Dlamini: as pessoas poderiam discordar dela, contanto que ela estivesse do lado certo. Essa crença tornou-se a base de seu trabalho de advocacia. Sua mãe a inspirou a ver a advocacia não como confrontação, mas como um dever de estar ao lado daqueles cujas vozes são frequentemente ignoradas.
Embora sua formação acadêmica seja em direito, Dlamini percebeu que muitas das maiores injustiças sociais estão enraizadas não apenas na legislação, mas também na política governamental. Ela acredita que a defesa da saúde pública permite que ela resolva fatores estruturais que colocam comunidades vulneráveis em risco. Seu trabalho inclui o fortalecimento da implementação da Iniciativa WHO SAFER de acordo com o Plano Nacional de Combate às Drogas da África do Sul e a promoção da prevenção em nível comunitário.
A advocacia é um trabalho complexo, e Dlamini sabe que as mudanças raramente acontecem rapidamente. Sua fé a ajuda a manter a resiliência. Muitos começam com caminhadas de oração, e ela tira força de sua família, amigos e colegas. Acima de tudo, ela diz que são as comunidades afetadas pelos danos do álcool que a motivam a continuar lutando até que comunidades mais saudáveis e seguras se tornem realidade.
Em relação ao Mês da Mulher na África do Sul, Dlamini vê este período como uma celebração das conquistas femininas e um lembrete do papel que as mulheres desempenham na luta contra a injustiça. Ela cita as mulheres que marcharam contra as leis de passe como um exemplo do poder da advocacia coletiva e acredita que o mesmo espírito é necessário hoje. Para Dlamini, o Mês da Mulher é um apelo às mulheres para continuarem a moldar políticas que protejam as gerações futuras e garantirem que as pessoas que vivem com as consequências dessas políticas tenham voz nas decisões que afetam suas vidas.