Apesar de a seleção sul-africana (Bafana Bafana) ter se classificado para dois torneios da Copa Africana de Nações (AFCON) consecutivamente e aparecer pela primeira vez na Copa do Mundo da FIFA em 16 anos, prevalece entre os torcedores a opinião de que a equipe deve buscar a vitória no AFCON-2027. No entanto, alguns jogadores conhecidos mantêm uma visão diferente.
Brian Baloyi, um dos ex-jogadores mais respeitados em Mzansi, acredita que exigir do novo técnico do Bafana Bafana que conquiste o título no AFCON-2027 seria uma exigência exagerada. Espera-se que a nomeação de Pitso Mosimane como novo técnico do Bafana Bafana seja anunciada oficialmente esta semana, substituindo Hugo Bruus, cujo contrato de cinco anos terminou em 31 de julho.
Em uma entrevista exclusiva ao IOL Sports, Baloyi declarou que conquistar o AFCON-2027 seria um objetivo muito ambicioso. Ele observou que, em sua opinião, o novo técnico não conseguirá desenvolver o legado deixado por Hugo Bruus. Baloyi questionou o que exatamente Bruus deixou e qual sistema ele construiu.
Baloyi enfatizou que, ao construir um sistema, ele precisa estar pronto para ser usado por quem quer que assuma o cargo. Em sua compreensão, o novo treinador terá que começar do zero.
Isso acontece, apesar de
Embora Bruus tenha garantido à equipe participação em duas AFCONs e classificação para as quartas de final da Copa do Mundo, ele deixou um elenco composto por jovens jogadores que, segundo previsões, poderão jogar profissionalmente por mais de dez anos. No entanto, Baloyi considera que, ao exigir do novo técnico a continuação do sucesso de Bruus, eles ignoram a ausência de qualquer sistema ou estilo de jogo no qual se possa basear o trabalho futuro. Eles terão que criar sua própria filosofia do zero, o que, segundo ele, é um dos principais problemas da África do Sul.
Ele observou que este problema é visível até mesmo no nível dos clubes: falta uma filosofia de jogo unificada e confiável. Cada técnico que chega é forçado a implementar a sua própria. Para Baloyi, o ponto chave é que o técnico nacional deve deixar um legado, focando não apenas na seleção nacional, mas também na formação de treinadores desde as academias juvenis para formar uma filosofia de jogo nacional.
Os debates sobre a filosofia de jogo nacional não são novos. Este tema recebeu atenção suficiente a ponto de serem desenvolvidas políticas como a Visão 2022, que previa tentativas de alcançar a coerência técnica: o técnico do Bafana deveria receber apoio do técnico U-23, que, por sua vez, ajudaria o mentor U-20, e este, o técnico U-17.
No entanto, isso não conseguiu resolver o problema principal que Baloyi aponta. Ele descreveu a situação atual na África do Sul como um 'caos total' (free-for-all). Segundo ele, existem muitas academias, e cada uma pode começar a ensinar seu próprio estilo — alguns gostam de futebol inglês, outros de alemão, o que leva ao caos.
Baloyi insiste na necessidade de um diretor técnico que estabeleça regras unificadas: 'Você não tem o direito de vir e ensinar o seu. É assim que as crianças devem aprender a jogar neste país. Assim as crianças se desenvolvem', para que todos que cheguem à seleção nacional possam se apoiar nessa base.
Disputa financeira em torno de Mosimane
No fim de semana, o Comitê Executivo Nacional da SAFA apoiou Mosimane. No entanto, surgiu um impasse devido a desacordos sobre seu pacote salarial: inicialmente foi oferecido 5 milhões de rand por ano, o que levou sua equipe a exigir um pacote anual próximo de 16,8 milhões de rand, que Bruus recebia.
Mosimane deve se preparar para as eliminatórias da AFCON, que começam em setembro, quando o Bafana jogará contra Guiné e Eritreia. O intervalo internacional estendido entre setembro e outubro também permitirá que as seleções nacionais realizem pelo menos um ou dois jogos amistosos.

