Durante uma manifestação em 30 de julho de 2026, manifestantes foram às sedes do Departamento de Assuntos Internos no assentamento de Alexandria, exigindo a expulsão de imigrantes ilegais. O autor do artigo afirma que a migração não é um problema exclusivo da África do Sul, mas sim um desafio para todos os países.
Citando um antigo provérbio africano de que 'quando o telhado de uma casa vaza, a chuva molha toda a aldeia', o autor compara a migração a essa chuva que afeta todas as fronteiras, cidades e estados em todo o continente e no mundo. Ele enfatiza que culpar apenas um país significa ignorar a essência do problema. Acusar a África do Sul de dificuldades migratórias é fugir da análise das verdadeiras causas da migração.
A migração representa uma tarefa comum para todos os países, seja no Mediterrâneo, na fronteira EUA-México, no Golfo Pérsico ou na Europa, em Nairobi, Lagos ou Joanesburgo. Cada governo enfrenta as mesmas questões: quem entra, como são documentados e como garantir a segurança tanto dos cidadãos quanto dos recém-chegados.
Na África, a África do Sul recebe o maior número de migrantes, tanto legais quanto ilegais. A razão para isso reside no fato de que, após 1994, o país abriu suas portas ao mundo, criando uma economia, constituição e instituições que, apesar das falhas, fornecem refúgio, trabalho, educação e cuidados médicos. Para muitas pessoas, a África do Sul se torna um destino.
O autor apela para que se pergunte honestamente por que o debate público é tão intenso em um lugar e tão silencioso em outros. Em algumas partes do Norte da África, a rota migratória foi acompanhada por horrores documentados por investigações da Organização Internacional para as Migrações (OIM), ONU e mídia internacional. Esses relatórios registram a detenção de migrantes africanos em centros de detenção, venda em mercados de escravos, agressões e exploração, bem como deportações em massa de africanos subsarianos para o deserto sem comida nem água.
Em alguns países do Golfo Pérsico, trabalhadores africanos enfrentam o sistema de 'kafala', confisco de passaportes e condições que lembram a escravidão moderna. No entanto, isso não justifica os atos criminosos e a justiça pelas próprias mãos na África do Sul; o governo condenou veementemente tais atos e destacou que as autoridades policiais estão caçando os culpados.
O autor questiona o silêncio da África neste diálogo. Quando sul-africanos expressam preocupações justificadas sobre criminalidade e pressão sobre os serviços sociais, o continente reage rotulando isso como 'africanofobia' ou 'xenofobia' — termos que passaram a ser associados apenas à África do Sul. Isso, na opinião do autor, é uma evasão de responsabilidade.
A África do Sul não pode carregar sozinha o peso dos fatores de expulsão de todo o continente. A responsabilidade é de todos os países do mundo, que devem trabalhar para reduzir a migração irregular criando um ambiente socioeconômico favorável em seus países de origem, incluindo emprego, segurança, governança e oportunidades. Se não houver desenvolvimento onde as pessoas nascem, elas continuarão a persegui-las nas fronteiras.
Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer as dificuldades enfrentadas pelos países de acolhimento, como a África do Sul: clínicas públicas superlotadas, escolas cheias e listas de espera de moradia de longa data, enquanto os recursos são esticados para incluir estrangeiros. A África do Sul é provavelmente um dos poucos países africanos que oferece ajuda aos migrantes não contribuintes, fornecendo-lhes tratamento em hospitais públicos, educação para crianças e proteção jurídica. O autor acredita que poucas nações demonstram tamanha bondade aos migrantes como a África do Sul, e faz isso devido à sua identidade.
Os sul-africanos levantam questões legítimas sobre crimes cometidos por migrantes ilegais, que são impossíveis de rastrear e que exercem pressão sobre comunidades e serviços. Quando essas preocupações são levantadas, são rapidamente rotuladas como 'xenofóbicas', enquanto fenômenos semelhantes em alguns países próprios são nomeados de forma diferente: 'operações de segurança', 'renovação urbana' ou 'estranhos ilegais'. O autor argumenta que isso não é uma divisão, mas uma manifestação de democracia — a demanda do povo ao seu governo por gestão.
Nenhuma nação no mundo pode permitir a imigração ilegal; a lei deve prevalecer. A sugestão de que a África do Sul abra suas fronteiras sem regras é equivalente a exigir algo que nenhuma outra nação fará. Em 2015, a União Africana adotou uma resolução sobre a realização de uma conferência continental sobre migração, que ainda não ocorreu, o que reconheceu que este é um problema continental, e não específico de um país. A resolução afirmava claramente que a migração deveria ser gerida em conjunto, com dignidade e ordem, mas esta conversa ocorre com pouca frequência, e os países permanecem em ciclos de acusações mútuas.
Os gargalos incluem documentação, gestão de fronteiras, troca de dados, criação de empregos e aplicação da lei, e não podem ser resolvidos apontando para um único país. A chuva cai sobre todos nós, portanto, devemos parar de discutir de cujo telhado está vazando e consertá-lo juntos, pois a migração não é apenas um problema da África do Sul, mas um desafio global que exige uma resposta global e africana.