O boom de robôs humanoides na China gerou uma nova e inesperada categoria de empregos — técnicos de reparo de robôs de terceiros. Este papel é o exemplo inicial mais óbvio da formação de uma economia de serviços em torno da crescente base de robôs humanoides instalados no país. O treinamento leva um mês, e a remuneração mensal é de cerca de seis mil yuans. O cliente mais frequente para esses especialistas é o robô quadrúpede Unitree Go2.
De acordo com estimativas da IDC, as vendas mundiais de robôs humanoides atingirão 18.000 unidades em 2025. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China prevê que apenas a China produzirá mais de 100.000 robôs humanoides em 2026. Wang Xinsin, fundador da Unitree, afirma que os robôs quadrúpedes de sua empresa ocupam de 60% a 70% do mercado mundial. A AgiBot acumulou mais de 15.000 robôs incorporados no total até o final de junho. Multiplicando esses números pela média de eventos de reparo cobertos pela garantia por ano, a carga de trabalho se transformou em uma indústria completa.
O trabalho do técnico se assemelha mais ao reparo de drones do que ao de telefones. A perna do robô, que imita a forma humana, é um conjunto de módulos de articulação, cada um combinando motor, redutor planetário, encoder, placa de driver e rolamento. Os tipos principais de falhas são previsíveis: um chiado com textura de areia indica uma articulação seca, um clique significa um redutor planetário desgastado e um chiado elétrico indica um curto-circuito na placa. A maioria dos reparos consiste na substituição de peças, e não em seu restauro.
Distribuidores autorizados podem receber peças de OEMs com restrições geográficas e de cenário de uso, o que levou ao surgimento de um mercado secundário paralelo para componentes removidos. As peças de fabricantes OEM não são intercambiáveis entre marcas, e os esquemas de circuitos não são publicados. Alguns fabricantes até lixam a marcação dos chips nas placas de circuito impresso antes do envio. Essa situação transforma o reparo de terceiros em um negócio baseado em relacionamentos, e não apenas em habilidades. Uma visão mais precisa do mercado de trabalho mostra que o gargalo são as peças de reposição, e não os próprios técnicos. Esse desequilíbrio começa a aparecer no preço dos materiais de consumo: um par de pernas de robô de substituição custa quatrocentos yuans, mais de seis vezes mais do que um par de sapatos humanos equivalente.
Operadores de terceiros, como a Kaogong Yunji de Nanjing, estão expandindo suas operações para cinco pontos de serviço em todo o país. Agora existe uma escada de carreira não oficial neste setor: técnico estagiário, técnico de campo, parceiro de serviço certificado da marca e treinador. O mercado de treinamento também está crescendo, embora a qualidade dos programas seja heterogênea. Alguns cursos são muito rigorosos, enquanto outros são essencialmente conteúdo de marketing. A era dos robôs humanoides na China agora possui algo que a onda anterior de eletrônicos de consumo não tinha: um mercado de trabalho que se dimensiona junto com a base de instalações, e não com o orçamento de marketing. A profissão de 'médico ortopedista' tornou-se realidade.

