Sibongile Simelane-Kuntana atua como um símbolo de esperança na luta contra os danos dos jogos de azar, transformando sua experiência pessoal em apoio ativo às famílias afetadas pelo vício.
Aos 51 anos, ela lidera o South African Responsible Gaming Foundation (SARGF), onde se concentra em questões de jogo responsável, tratamento e redução de danos, ao mesmo tempo que defende uma resposta mais forte do sistema de saúde pública ao problema do vício.
Simelane-Kuntana cresceu na vila de Vukuzakh, em Volksrust, perto da fronteira das províncias de KwaZulu-Natal e Mpumalanga, sendo a caçula de três filhos. Os valores inculcados por seus pais continuam a influenciar sua abordagem à vida e ao trabalho, sendo a humildade particularmente forte.
Ela observou que este valor permitiu-lhe criar oportunidades para jovens desempregados que poderiam estar em casa e ter dificuldades de auto-realização. Ela recebia pessoas na organização, independentemente de sua experiência, orientando-as e fornecendo-lhes a oportunidade de aprender.
Ela salientou que na vida uma pessoa pode ser boa, ter tudo, e depois perder isso se não tiver humildade ou for orgulhosa. Seu pai também lhe ensinou que as lágrimas por si só não mudarão as circunstâncias, e que ela precisa assumir a responsabilidade, trabalhar arduamente e encontrar uma saída.
No entanto, ela também aprendeu que resiliência não significa lutar todas as batalhas infinitamente. Ela afirmou que é preciso saber o momento de desistir, o que a ensinou a entender quando havia feito tudo o que era possível.
Sua decisão de trabalhar na prevenção de danos dos jogos de azar foi moldada pela experiência de sua própria família: seu pai dependia de álcool e seu irmão lutava contra drogas. Na infância, ela não entendia o que era o vício e não sabia como ajudar.
A experiência pessoal a inspirou a defender os interesses das famílias que não compreendem o que está acontecendo com seus entes queridos. Há cinco anos, ela percebeu que o SARGF precisava de mais apoio para as famílias afetadas pelos danos dos jogos de azar, pois na época o fundo não tinha um departamento de serviço social.
Ela entendeu a importância das famílias, assim como como o trabalho social pode ajudar indivíduos e famílias a entenderem como o vício destrói estruturas familiares. Atualmente, a organização conta com um departamento completo de serviços sociais.
Entre as realizações de Simelane-Kuntana estão o desenvolvimento e lançamento do Mês Nacional do Jogo Responsável em novembro, a criação do plano estratégico do SARGF e a formação de sua ala social. Ela também conseguiu incluir no protocolo de tratamento e aconselhamento do fundo dados de ciência, saúde pública e epidemiologia.
Ela possui um MBA obtido durante a pandemia de Covid-19 e atualmente está cursando um doutorado na School of Business Administration da Universidade de Witwatersrand. Além disso, possui qualificações pós-graduadas em administração pública e gestão, bem como conhecimentos de história da arte e um bacharelado em educação.
No entanto, o cenário dos jogos de azar está mudando, especialmente com o crescimento das apostas online. Preocupa-se que as apostas online tornaram os jogos de azar mais acessíveis, mais imediatos e fáceis de participar a qualquer hora do dia, enquanto a maior parte do dano associado permanece oculta.
A linha direta do Programa Nacional de Jogos Responsáveis mostrou que as pessoas nem sempre procuram a organização porque reconhecem um problema com jogos de azar. Alguns começam com perguntas sobre contas ou atividade de apostas online, o que cria uma oportunidade para identificar pessoas vulneráveis.
Simelane-Kuntana acredita que um dos maiores equívocos é que os jogos de azar não podem causar dependência. Ela afirma que o transtorno do comportamento de jogo é uma dependência comportamental reconhecida que ativa o sistema de recompensa do cérebro da mesma forma que o álcool ou outras substâncias.
Na sua opinião, aqueles que procuram aconselhamento ou tratamento representam apenas uma pequena parte das pessoas que sofrem danos relacionados a jogos de azar. Ela acredita que isso é apenas a ponta do iceberg, e a África do Sul pode estar subestimando a dimensão desse problema.
Ela também insiste que a política deve reagir mais rapidamente quando as pessoas procuram ajuda, especialmente através do mecanismo de autoexclusão. Em sua opinião, uma pessoa que solicita exclusão requer intervenção digital imediata 24 horas por dia. Ela considera que a autoexclusão deve estar diretamente ligada ao aconselhamento, tratamento e reabilitação, e não funcionar como um processo administrativo autônomo.
Para Simelane-Kuntana, um dos desafios mais complexos é equilibrar as exigências do papel de mulher, mãe, esposa e profissional. Ela observa que conciliar tudo isso às vezes é exaustivo.
Sua família e colegas lhe oferecem apoio; os funcionários às vezes a lembram de tirar um tempo do trabalho. Ela diz que recebe um enorme apoio de colegas que sempre a incentivam a fechar o notebook. Sua principal motivação continua sendo a família e o trabalho no SARGF.
Para Simelane-Kuntana, o Mês da Mulher serve como um lembrete de que o trabalho enfrentado pelas mulheres está longe de terminar. Ela questiona a expectativa de que as mulheres devam demonstrar força constantemente. Ela considera que a exigência de ser 'imbokodo' — aquela que luta até o fim e nunca recua — é, por vezes, injustificada.
Ela também acredita que as mulheres frequentemente se opõem umas às outras em vez de reconhecerem seu papel na vida uma da outra. Para ela, liderança reside em criar oportunidades, saber ouvir e usar a experiência para melhorar o apoio a pessoas e famílias que enfrentam dificuldades sociais. As lições de seus pais — humildade, responsabilidade pessoal e a compreensão de que a resiliência também inclui saber o momento de recuar — permanecem centrais em sua jornada da vila de Vukuzakh à liderança de uma organização nacional.