Serviços médicos pedem encarecidamente às mães que iniciem a amamentação exclusiva durante os primeiros seis meses de vida da criança para melhorar a sobrevivência infantil e reduzir a desnutrição. Menos de um quarto dos bebês na África do Sul recebe essa nutrição nos primeiros seis meses.
Especialistas em saúde alertam que a diminuição da frequência da amamentação no país contribui para o aumento dos casos de desnutrição infantil e doenças evitáveis. De acordo com o Relatório Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, a taxa de amamentação exclusiva na África do Sul é de 22,2%, enquanto no Cabo Oriental é ligeiramente superior, cerca de 25%. Esses números estão significativamente abaixo das metas globais estabelecidas, enquanto o país continua a lutar contra altas taxas de desnutrição infantil e atraso no crescimento.
Neste contexto, o Departamento de Saúde do Cabo Oriental visitou a aldeia de Nkondlo, no Município de Ngcobo, esta semana, como parte da Semana da Amamentação. Lá, representantes do departamento pediram às mães, famílias e comunidades que apoiassem a amamentação exclusiva durante os primeiros seis meses de vida da criança. Funcionários regionais enfatizaram que esta campanha visa proteger as crianças de doenças que continuam a tirar vidas jovens.
Os funcionários relataram que abordaram a comunidade para divulgar a importância da amamentação como forma de proteger as crianças de doenças graves que afetam a comunidade, incluindo diarreia e outras enfermidades infantis comuns. Eles observaram que o próprio leite materno fornece nutrição completa durante os primeiros seis meses de vida.
O departamento também observou que continua a registrar um número preocupante de casos de desnutrição entre crianças de nascimento a três anos. Os funcionários apontaram uma desaceleração nas taxas de amamentação, especialmente em comunidades onde mães jovens e mães vivendo com HIV enfrentam dificuldades com a amamentação prolongada.
Em resposta a isso, a província está fortalecendo sua Iniciativa Amiga da Mãe e do Bebê, apoiando as mulheres durante todo o período desde a gravidez até o parto, além de criar grupos de apoio nas comunidades para aumentar as taxas de amamentação. Representantes do departamento declararam que pretendem promover e apoiar a amamentação, considerando-a o padrão ouro, e desejam lançar grupos de apoio para mães lactantes que necessitam de ajuda.
O Departamento Nacional de Saúde identificou há muito tempo a amamentação exclusiva como um dos métodos de intervenção mais eficazes e acessíveis para melhorar a sobrevivência infantil, proteger os bebês contra doenças diarreicas e infeções respiratórias, e reduzir a desnutrição. As diretrizes nacionais recomendam a amamentação exclusiva durante os primeiros seis meses de vida, seguida pela continuação da alimentação com alimentos complementares até dois anos ou mais.
Organizações da sociedade civil afirmam que o baixo nível de amamentação no país reflete a falta de apoio, e não a falta de vontade por parte das mães. A organização de defesa dos direitos maternos Embrace, no âmbito de sua campanha Semana da Amamentação, afirmou que a amamentação não deve ser vista apenas como um dever da mãe; ela enfatizou que é uma responsabilidade coletiva.
Esta organização acredita que, para a África do Sul reverter a queda nas taxas, as mães precisam de apoio médico qualificado, proteção remunerada à maternidade, apoio familiar e empregos que promovam a amamentação. O Fundo 'Grow Great' alertou que melhorar a amamentação é uma das ferramentas mais eficazes no combate à desnutrição infantil. A organização declarou que cada criança merece um começo de vida melhor, e a amamentação permanece um poderoso meio de prevenção do atraso no crescimento e melhoria da saúde e desenvolvimento a longo prazo das crianças.
'Grow Great' tem apelado repetidamente para o aumento dos investimentos em nutrição durante os primeiros mil dias de vida da criança, chamando este período de crítico para o desenvolvimento cerebral e saúde futura. A organização de defesa dos direitos Black Sash ligou a amamentação a problemas mais amplos de pobreza e proteção social, argumentando que não se pode esperar que os cuidadores tomem decisões nutricionais ótimas sem assistência econômica adequada. Durante uma recente campanha de segurança alimentar, a organização declarou: 'O direito à alimentação começa muito antes da criança comer alimentos sólidos', pedindo um maior apoio às mães e cuidadores para combater a fome e a desnutrição.
Todas as agências pediram aos governos que invistam em sistemas sustentáveis de apoio à amamentação, alertando que muitas mães interrompem a amamentação não por escolha própria, mas devido à falta de apoio adequado dos sistemas de saúde, comunidades e empregadores.
Membros da comunidade também ajudam a reforçar esta mensagem. Nompendulo Peter, curandeira tradicional da vila vizinha de Cvekweni, aconselhou as mães, especialmente aquelas que acabaram de saber que são vivas com HIV, a continuar amamentando enquanto recebem cuidados médicos adequados. Ela relatou que encaminha seus pacientes diagnosticados com teste positivo para HIV de volta à clínica para incentivá-los a amamentar os filhos e receber o suporte necessário nas clínicas.
Profissionais de saúde concluíram que aumentar as taxas de amamentação exigirá a colaboração de comunidades, profissionais de saúde, líderes tradicionais e famílias para garantir que as mães recebam o apoio necessário nos primeiros seis meses críticos da vida de seus bebês.