O autor recorda-se de sua mãe cantando-lhe uma canção de ninar em tâmil: «Meow, meow, poona kutty. Meow, meow, little kitten». Em sua voz suave com sotaque de Chennai, soava mais como uma promessa que incutia na criança a ideia da existência de um ser cujos deveres principais são comer, dormir e ser amado.
Recentemente, um gato entrou na vida do autor, instalando-se na caixa de correio. Este gato ruivo permaneceu lá por alguns dias até entrar em casa e se tornar parte da família. O filho do autor, sendo um grande amante de animais, encontrou sua dona nas redes sociais. A mulher veio, viu o novo ambiente para seu gato e concordou em deixá-lo, nomeando-o Bella.
A família renomeou o gato para Postille, em parte devido à sua estadia inicial na caixa de correio, e também em homenagem ao trabalho jurídico do autor, onde apostilados são usados para legalizar documentos para uso internacional. O autor considera este um nome apropriado para um gato que estabeleceu seu lugar em casa sem quaisquer papéis oficiais.
Postille não é o único conhecido felino. Um gato cinza e sombrio chamado Shadow aparece periodicamente. Os dois mantêm, como pode ser descrito, uma guerra fria diplomática que ocorre principalmente através de olhares no quintal.
O autor também lembra-se de uma gata branca do vizinho que deu à luz quatro gatinhos de cores diferentes: cinza, preto, branco e listrado. Ele conclui que, assim como os gatos, os humanos diferem em aparência, mas sua humanidade permanece a mesma, pois todos carregam o mesmo sangue vermelho e ossos frágeis. Ele considera absurda a opinião de superioridade de um grupo sobre outro, comparando isso à afirmação de uma linhagem superior de um filhote em comparação com seus irmãos. Esta lição, na opinião do autor, deve ser repetida em um país que ainda está lidando com as consequências do apartheid, e isso deve ser feito pelos líderes.
Postille em si é a personificação das contradições. Ela cuida-se excessivamente, como se estivesse se preparando para uma inspeção real que nunca é agendada. Ela se move com propósito, mas dorme como se fosse um dever profissional, por dezessete horas por dia. Às vezes, traz um gecko morto aos pés do autor, o que o autor interpreta como pagamento de aluguel mensal. Ela chora como um bebê esquecido por comida que já é abundante na tigela. E às vezes ela olha para o autor com uma confiança silenciosa de que ele é, na melhor das hipóteses, um gerente médio em sua 'instituição'.
No entanto, além dos momentos engraçados, há quatro lições que devem ser consideradas não para os gatos, mas para aqueles que governam o país.
