O Centro de Neurociências inovador e de alta tecnologia foi inaugurado na Universidade do Cabo (UCT), com o objetivo de expandir a pesquisa científica e o ensino em neurociências em toda a África, buscando impactar positivamente a vida das crianças.
O cérebro humano é o órgão mais complexo conhecido no universo. Na infância, ele passa por mudanças significativas, desenvolvendo-se, adaptando-se e estabelecendo a base para toda a vida futura do indivíduo. No entanto, traumas, infecções graves ou doenças súbitas podem alterar irreversivelmente o caminho de vida de uma criança.
Para combater esse problema, a UCT lançou um centro avançado de neurociências dedicado à proteção e estudo do cérebro em desenvolvimento. Este novo local, conhecido como Divisão SAMRC Discovery Neuroscience in Children, fornece uma plataforma científica de longo prazo para melhorar o diagnóstico e tratamento de condições cerebrais agudas, bem como para formar a próxima geração de líderes em neurociências diretamente na África.
O Professor Anthony Figgadi, diretor da nova divisão, observa: «A África tem mais crianças do que qualquer outra região, e as inúmeras condições que afetam o cérebro representam, em conjunto, a maior carga de doenças que causam mortalidade e incapacidade em todo o mundo». Ele acrescenta que esses dois fatores representam tanto um grande desafio quanto uma enorme oportunidade para estudar e proteger o cérebro na infância, garantindo um futuro saudável para o continente.
Anos de construção de uma fundação
O lançamento desta divisão marca um marco importante para a iniciativa African Brain Child (ABC). Este programa clínico e de pesquisa está sediado no Departamento de Neurocirurgia Pediátrica do Hospital Infantil da Cruz Vermelha Memorial e no Instituto de Neurobiologia da Universidade do Cabo. A equipe dedicou anos para criar um padrão mundial em saúde cerebral infantil.
A iniciativa enfatiza que sua combinação única de alta incidência, infraestrutura complexa e vasta experiência clínica e laboratorial os coloca em posição vantajosa para se tornarem um centro líder no estudo do cérebro infantil. A criação desta divisão, que é uma das sete novas Divisões Extramurais (EMU) financiadas pelo Conselho Sul-Africano de Pesquisa Médica (SAMRC), reconhece oficialmente a ABC como uma das principais iniciativas de pesquisa do continente.
A Professora Lizl Zülke, vice-presidente de pesquisa extraterritorial e portfólio internacional no SAMRC, saudou esta expansão, destacando que a divisão aumenta o alcance do conselho em neurociências e saúde infantil.
De descobertas laboratoriais a cuidados reais
O principal objetivo do novo centro é levar as descobertas científicas do laboratório diretamente ao leito do paciente, o que é conhecido como ciência translacional. Os pesquisadores da divisão estudam:
Mecanismos celulares:
Como o tecido cerebral reage a lesões e infecções agudas em nível celular.
Entrega de medicamentos:
Como os medicamentos circulam e penetram nas barreiras protetoras do cérebro.
Biomarcadores e genômica:
Identificação de marcadores genéticos claros para diagnóstico mais precoce e preciso de condições.
Além da neurociência pediátrica, a UCT está expandindo suas atividades para outras áreas modernas. O Professor Nicola Mulder liderará a Divisão SAMRC/UCT AI para pesquisas de saúde pública africana, que utiliza inteligência artificial para transformar dados de saúde pública na região.
A Professora Associada Ursula Rolvink, vice-diretora da nova divisão de neurobiologia, comenta: «Temos o privilégio de trabalhar na intersecção de fronteiras científicas cruciais, incluindo neurociências, imunologia e medicina de precisão, focando no estágio mais notável da vida humana — a infância».
Capacitando a próxima geração da África
Além dos avanços laboratoriais, o centro serve para desenvolver talentos locais. Através de treinamento pós-graduado, mentoria especializada e redes colaborativas na África do Sul e em todo o mundo, a divisão prepara ativamente cientistas e médicos africanos para liderar pesquisas de classe mundial em seu próprio continente.
A Professora Tokozani Madjosi, vice-reitora da UCT para Pesquisa e Internacionalização, enfatizou que o indicador final de sucesso da divisão é seu impacto nas pessoas. Ao proteger cérebros jovens e promover o desenvolvimento de liderança científica local, o novo centro investe diretamente no futuro da África.


