O Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Roland Lamola, anunciou que a África do Sul dará prioridade ao desenvolvimento do comércio regional, infraestrutura, industrialização e processamento de minerais críticos, assumindo a presidência da SADC para o período de 2026–2027.
Lamola falou em Durban na quarta-feira, quando a África do Sul assumiu oficialmente a presidência da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) na reunião do Conselho de Ministros. Ele enfatizou que as prioridades da África do Sul serão garantir a paz, a segurança e a estabilidade, acelerar a industrialização, expandir o comércio regional, desenvolver a infraestrutura e fortalecer o capital social e humano.
A África do Sul visa fortalecer o comércio regional
O ministro observou que o foco da África do Sul será transformar a agricultura, processar minerais críticos, aumentar o comércio regional e formar cadeias de valor regionais. A região da SADC possui quase 30% das reservas mundiais de minerais críticos comprovados, incluindo cerca de 50% das reservas mundiais de cobalto e 20% das reservas de grafite.
No entanto, Lamola salientou a necessidade de que a riqueza da região em forma de minerais contribua para o progresso econômico e social, em vez de continuar um modelo onde os recursos beneficiam economias fora da região. Ele afirmou que, para mudar essa tendência, é necessário processar os próprios recursos, criar cadeias de suprimentos regionais e aumentar o comércio entre os países.
Atualmente, o comércio entre os países da SADC representa cerca de 20%, o que, na opinião de Lamola, é insuficiente dado o potencial da região. Ele mencionou que o Banco Africano de Exportação e Importação avaliou o potencial não utilizado do comércio intraafricano em 2018 em US$ 84 bilhões, dos quais a fatia da SADC era de US$ 53 bilhões. Lamola garantiu que, durante seu mandato, os objetivos da cúpula de Skukuza seriam alcançados, visando uma participação de 50% no comércio intraregional e o uso de minerais críticos para processamento local.
Infraestrutura e empregos são as principais tarefas da SADC
O desenvolvimento da infraestrutura também entrará no âmbito das prioridades, pois a África do Sul busca modernizar e expandir os sistemas que conectam os países da região. Isso inclui garantir energia confiável, corredores de transporte eficientes, portos modernos, redes digitais integradas e sistemas estáveis de abastecimento de água. Lamola enfatizou que sem essas bases, a expansão da produção regional é impossível.
Ele observou que a produção representa apenas 10% do PIB e não consegue gerar empregos na escala necessária para a região. Além disso, a agenda da África do Sul incluirá o desenvolvimento do capital social e humano, especialmente considerando a população jovem da África. A idade média na África é de 19 anos, e quase 60% da população tem menos de 25 anos. Lamola prevê que até 2030, um dos quatro jovens no mundo será da África, portanto, a economia e a criação de empregos devem acompanhar o crescimento populacional.
As prioridades também se basearão na igualdade de gênero, na resiliência às mudanças climáticas e na gestão de riscos de desastres. Lamola insistiu que esses aspectos devem permear todos os elementos do programa regional, pois o desenvolvimento não pode ser inclusivo se ignorar o aspecto de gênero, deixar para trás os jovens ou não preparar as comunidades para choques climáticos e outros.
Lamola apela aos Estados da SADC para apoiar a migração ordenada
A questão da migração também será esperada durante a presidência sul-africana. Lamola informou sobre os crescentes debates públicos na África do Sul relativos à migração irregular, à integridade das fronteiras nacionais, ao acesso às oportunidades econômicas e à pressão sobre as comunidades e instituições estatais. Reconhecendo as preocupações dos cidadãos, ele rejeitou a justiça pelas próprias mãos e as violações dos direitos humanos, afirmando que a resolução dos problemas relacionados à migração irregular deve ser feita dentro de uma abordagem legal e ordenada.
Ele acrescentou que a migração não pode ser vista apenas como um problema de segurança, pois o movimento de pessoas pela região está ligado também a oportunidades econômicas e emprego. Lamola citou o exemplo de Durban, observando que o desenvolvimento industrial do país se beneficiou significativamente de uma grande reserva de mão de obra da região e de fora dela. O ministro apelou aos estados-membros da SADC para assinarem um protocolo sobre a livre circulação de pessoas para garantir uma migração regular e ordenada, expressando esperança por uma busca conjunta de soluções abrangentes para os problemas migratórios da região.
Paz, segurança e estabilidade permanecerão desafios chave durante o mandato da África do Sul como presidente. Lamola enfatizou que a segurança de um estado está intrinsecamente ligada à segurança e estabilidade de toda a comunidade da SADC. Ele relembrou a rica história do bloco regional na resposta coletiva às ameaças à paz e segurança, afirmando que a solidariedade regional permanece a maior força na resolução dos desafios políticos e de segurança emergentes.
A África do Sul assume a presidência em meio à competição de grandes potências, ao aumento de choques externos, catástrofes climáticas, ameaças de pandemias e ao foco interno das economias desenvolvidas. A SADC deve garantir que suas estruturas de desenvolvimento regional levem à melhoria da vida da população. Lamola apelou para que este momento seja usado para renovar o compromisso de superar a lacuna entre as ambições declaradas em documentos regionais e a capacidade das instituições de implementá-las. Ele também observou que a África do Sul reconhece sua responsabilidade como a economia mais industrializada da região de contribuir para a integração regional e prosperidade comum, abordando a presidência com humildade, determinação e disposição para trabalhar com todos os estados-membros.