A Walt Disney Company iniciou testes em agosto deste ano com funcionalidades de inteligência artificial focadas em otimizar a busca e a descoberta de conteúdo tanto no ESPN quanto no Disney+. Essas experiências estão atualmente em fase beta e são disponibilizadas para grupos limitados de usuários e assinantes.
No âmbito do ESPN, a inovação permite que os usuários façam perguntas esportivas utilizando linguagem natural e recebam em troca respostas, estatísticas, materiais correlatos e sugestões. Já no Disney+, a proposta visa entender o que o assinante está buscando no momento, seja através de texto, voz ou sugestões pré-definidas.
Essas implementações visam diminuir a dificuldade que os usuários enfrentam ao tentar localizar uma informação específica ou decidir o que assistir, aproveitando diversos conjuntos de dados e conteúdos próprios da Disney para tornar a navegação mais alinhada à intenção imediata do indivíduo.
A estratégia surge de uma dificuldade comum em plataformas digitais: nem sempre o usuário sabe exatamente qual termo deve usar na pesquisa ou qual conteúdo deseja encontrar. Em outras ocasiões, o desejo é apenas explorar opções sem depender primariamente do histórico de consumo.
Neste contexto, a Disney começou a experimentar recursos capazes de interpretar requisições feitas de forma mais espontânea. A empresa também planeja usar esses testes para monitorar a interação dos usuários e identificar caminhos para refinar, futuramente, os mecanismos de navegação, os resultados, as recomendações e a descoberta de conteúdo.
No serviço de streaming do ESPN, o recurso experimental foi denominado ESPN Search. Disponível em versão beta para uma parte dos usuários, esta ferramenta possibilita apresentar dúvidas sobre esportes em linguagem coloquial. Com base nessas solicitações, o sistema consegue compilar respostas, materiais pertinentes, estatísticas e recomendações.
A base de dados empregada nesta experiência agrega múltiplas fontes pertencentes ao ecossistema esportivo do ESPN. Entre essas fontes estão artigos e vídeos publicados pela companhia, dados estatísticos gerados pela ESPN Research, metadados esportivos, repositórios internos de conhecimento e sistemas estruturados de dados esportivos.
Assim, a funcionalidade não se restringe apenas a apontar uma página específica. Ela foi projetada para ligar uma pergunta a variados tipos de informação acessíveis dentro do universo de conteúdo e dados do ESPN, permitindo que o usuário chegue mais rapidamente aos elementos relacionados ao que procura.
No Disney+, a abordagem segue uma lógica distinta. Embora a plataforma já utilize a personalização baseada no histórico de visualização, o teste considera cenários onde o interesse atual do assinante pode divergir de seus padrões habituais. Por exemplo, um espectador que costuma acompanhar dramas policiais pode desejar algo mais leve em um determinado momento.
A ferramenta experimental tenta capturar precisamente essa alteração circunstancial para oferecer alternativas adequadas ao humor ou à necessidade descrita pelo assinante. Este recurso está sendo avaliado com um grupo pequeno e selecionado de assinantes, podendo a interação ocorrer via linguagem natural, comando de voz ou sugestões fornecidas pela própria plataforma.
Em vez de depender unicamente do histórico de consumo, o sistema permite que o usuário descreva com suas próprias palavras o tipo de experiência que almeja. O objetivo é converter uma busca genérica por algo para assistir em recomendações conectadas ao contexto presente naquele instante.
Ambas as iniciativas permanecem em fase de teste. A Disney pretende aproveitar o feedback coletado durante os testes para aprimorar a forma como seus serviços apresentam informações, conteúdos e sugestões. Esse movimento também sinaliza uma tentativa de tornar a relação com as plataformas menos dependente de menus, categorias e pesquisas tradicionais, buscando caminhos alternativos para que os usuários encontrem o que desejam ao interpretar pedidos mais próximos da fala cotidiana.

