A equipe de projeto descreveu as instalações da Vinícola HAIN, localizadas junto a um vinhedo e próximas a uma área de biodiversidade ao longo do Rio Havel. Estas edificações foram concebidas não apenas para armazenar e produzir para o vinhedo, mas também para contribuir ativamente na regeneração do clima, dos ecossistemas naturais e do ambiente construído.
O HAIN foi erguido utilizando quase exclusivamente materiais renováveis, locais e reciclados. O projeto enfatiza a integração ecológica, não só durante o uso vitivinícola, mas também após o término da vida útil das estruturas, visando que os edifícios permaneçam como habitats valiosos para a vida selvagem.
Através de seu design cuidadoso, as construções do HAIN estabelecem um modelo de desenvolvimento ecológico em pequena escala, demonstrando uma arquitetura que satisfaz as necessidades humanas enquanto beneficia o planeta, apoiando a vida em todas as suas formas no ambiente construído.
Integrando-se a um bosque, a estrutura combina árvores vivas com elementos estruturais feitos de madeira de lariço proveniente da região. Além de servir como suporte e depósito para ferramentas e equipamentos da vinícola, o HAIN inclui novos plantios arbóreos que complementam o bosque já existente. Troncos de lariço cortados transversalmente são dispostos sobre uma base subterrânea de madeira, alcançando uma fusão harmoniosa entre o funcional e o natural.
A intervenção também cumpre a função de principal armazém do vinhedo, carregando um significado tanto cultural quanto ecológico. Na região de Brandemburgo, por séculos, pedras de campo (Feldsteine) foram expostas pela ação da geada e da agricultura. Historicamente, essas pedras eram usadas em fundações, igrejas, celeiros e estradas, e as sobras eram empilhadas nas margens dos campos, formando biótopos ricos em diversidade biológica.
O HAIN homenageia essa tradição ao reaproveitar pedras de campo retiradas de uma estrada demolida próxima para formar sua cobertura em camadas e fachada. Esta prática não só conserva o legado construtivo local com as pedras de campo, mas também gera refúgios para plantas, líquens, anfíbios, insetos e aves. Com o passar do tempo, a estrutura ganhará uma aparência dinâmica e viva à medida que a flora e a fauna colonizarem suas superfícies.
Internamente, a inércia térmica do edifício garante um clima estável, ideal para o armazenamento de vinhos. A estrutura principal é composta por madeira de lariço local não tratada, enquanto a argila é empregada na alvenaria, na abóbada e no piso de terra batida.
A fundação e o nível térreo são construídos com pedras de campo e tijolos recuperados, dispensando o uso de cimento ou materiais compostos. No andar superior, uma camada funcional e reversível abriga os sistemas técnicos essenciais para o funcionamento da vinícola.