O surgimento da cerveja e o momento exato de sua invenção permanecem difíceis de determinar, pois não se pode ligar inequivocamente seu aparecimento a alguma cultura ou era específica. No entanto, acredita-se que a primeira bebida fermentada possa ter surgido há cerca de 12.000 anos, juntamente com o desenvolvimento da agricultura. Quanto à cerveja especificamente, é provável que os humanos a tenham provado pela primeira vez há cerca de 4 ou 5 mil anos.
A resposta para quem e quando a cerveja foi criada pela primeira vez está nos artefatos encontrados na Mesopotâmia, região do Oriente Médio. Supõe-se que os sumérios possam ter sido as primeiras pessoas a experimentar o sabor da cerveja. Um fato interessante é que os sumérios veneravam a cerveja como um presente da deusa, e sua preparação era tradicionalmente delegada às mulheres.
Em achados mediterrâneos, foi encontrada uma tábua de argila com uma receita de cerveja escrita, bem como um hino ou oração dedicado à deusa da cerveja chamada Ningkasi. A primeira cerveja de cevada surgiu no Oriente Médio. Evidências convincentes da produção de cerveja pelos antigos sumérios datam de aproximadamente 5000 a.C. Arqueólogos descobriram vasos de cerâmica de 3400 a.C. com vestígios de cerveja, bem como o 'Canto a Ningkasi' — uma oração dedicada à deusa suméria da cerveja, datada de 1800 a.C.
'O Canto a Ningkasi' foi escrito em tábuas de argila usando a escrita suméria antiga conhecida como cuneiforme e contém a receita de cerveja mais antiga conhecida. Este poema, dedicado à deusa da cerveja Ningkasi, descreve detalhadamente todo o processo de fabricação da cerveja. Pesquisadores modernos usaram essas informações para tentar recriar a cerveja suméria.
Cervejeiros modernos conseguiram criar uma bebida que, segundo eles, era muito semelhante à que os habitantes da Mesopotâmia bebiam há quatro mil anos, utilizando as traduções do poema de Ningkasi. A primeira tentativa de recriar a cerveja suméria foi feita por Fritz Maitag, que trabalhava na cervejaria Anchor Brewing em São Francisco. Ele soube do poema de Ningkasi através de um artigo do professor Solomon Katz, especialista em antropologia na Universidade da Pensilvânia.
Katz escreveu seu artigo no Instituto de Estudos Culturais Antigos da Universidade de Chicago, com base na tradução do hino de Ningkasi realizada por Miguel Civile, professor de sumerologia. Em 1964, ele traduziu este hino para o inglês. Maitag contatou Katz, que concordou em ajudar no projeto de renascimento da cerveja suméria na Anchor.
Seguindo o processo descrito no hino, Maitag preparou uma receita para a cerveja de Ningkasi, usando todos os ingredientes necessários. Mais tarde, Katz observou que alguns aspectos da receita pareciam incorretos com base no conhecimento moderno sobre tecnologia de cervejaria. Por isso, eles recorreram a Miguel Civile para uma nova tradução de parte do poema de Ningkasi. Graças a isso, Maitag, Katz e os cervejeiros da Anchor conseguiram reproduzir em grande parte a cerveja suméria.
Esta bebida tinha uma concentração de 3,5% de álcool. Em 1989, ela foi apresentada em grandes jarras em uma conferência de microcervejarias em São Francisco. Era bebida através de canudos, o que corresponde à imagem dos sumérios bebendo cerveja em selos arqueológicos.



