Milhões de residentes dos Emirados Árabes Unidos (EAU) bebem café todas as manhãs, muitas vezes sem pensar no impacto dessa bebida no organismo. De acordo com o Dr. Mansour Anwar Habib, consultor de medicina familiar e saúde profissional, esse hábito diário pode trazer muito mais benefícios do que muitos imaginam, desde que três condições específicas sejam cumpridas.
O Dr. Habib informou aos amantes de café que eles têm boas notícias: os grãos de café são ricos em antioxidantes que exercem diversos efeitos protetores no sistema cardiovascular.
Pesquisas recentes realizadas pela American Heart Association demonstraram que o consumo regular de café está associado à redução da resistência à insulina, diminuição do risco de formação de trombos arteriais, fortalecimento das paredes das artérias e redução da inflamação interna. Esses benefícios são considerados alguns dos indicadores mais significativos de saúde cardíaca a longo prazo.
No entanto, o Dr. Habib enfatizou que esses efeitos positivos não são automáticos. Eles dependem inteiramente da forma como o café é preparado, e o não cumprimento de apenas uma das três condições pode anular completamente o efeito protetor.
Em primeiro lugar, o volume diário é importante. O Dr. Habib recomenda consumir de uma a cinco xícaras por dia, sendo cinco xícaras um limite máximo estrito. Dentro dessa faixa, o corpo consegue absorver os compostos benéficos do café sem entrar em estado de excesso.
Observa-se uma redução sustentada no risco de insuficiência cardíaca, AVC e doença isquêmica do coração dentro desse volume. Exceder cinco xícaras por dia desequilibra, e o benefício cardiovascular começa a reverter.
A segunda condição, que surpreende muitos e que o Dr. Habib considera clinicamente mais significativa, diz respeito à filtração. O café deve ser preparado através de um filtro de papel, e não metálico, nem por fervura.
O Dr. Habib explicou que existem dois tipos de filtros: metálico e de papel. 'Café filtrado' refere-se àquele preparado usando um filtro de papel. Café preparado por fervura ou com filtro metálico é considerado não filtrado do ponto de vista médico.
A diferença deve-se a um composto chamado cafeostol, que está naturalmente presente nos óleos do café. Quando o café é fervido ou coado através de um filtro metálico, o cafeostol entra livremente na xícara. Após o consumo, ele aumenta os níveis de colesterol LDL — o tipo prejudicial na corrente sanguínea. O filtro de papel retém fisicamente o cafeostol antes que ele chegue à xícara, preservando todas as propriedades antioxidantes e eliminando o risco relacionado aos lipídios.
Do ponto de vista prático, os métodos turco, árabe, prensa francesa e moka pot são classificados como não filtrados medicamente. Para pessoas com colesterol já elevado, o Dr. Habib aconselha a exclusão total ou a redução do uso desses métodos. Os métodos preferíveis medicamente são aqueles com filtração em papel, bem como cafeteiras tipo drip, V60 e Chemex.
A última condição é a mais simples e a mais ignorada. O café deve ser bebido puro. Sem açúcar, leite, creme, xaropes aromatizados ou quaisquer adoçantes.
Assim que algo é adicionado à bebida, o benefício para a saúde é anulado. O açúcar causa picos de glicose no sangue e atua diretamente contra as propriedades de sensibilização à insulina dos componentes naturais do café. Leite e creme introduzem gorduras saturadas e calorias que neutralizam os benefícios cardiovasculares. Os estudos que ligam o café à proteção do coração são baseados em café simples e preto, e não em bebidas doces com laticínios.
As recomendações do Dr. Habib destinam-se a adultos geralmente saudáveis. Aqueles que sofrem de hipertensão grave ou incontrolável devem ter cautela, pois a cafeína pode causar picos temporários de pressão arterial. Pacientes com níveis já elevados de colesterol LDL devem priorizar a transição para café com filtro de papel. Pessoas com doenças cardíacas devem consultar um médico antes de fazer alterações na dieta diária.