No âmbito da celebração do Mês da Mulher, o Instituto de Engenharia Municipal Sul-Africano (IMESA) destaca os sucessos das engenheiras que lideram projetos de desenvolvimento de infraestrutura em todo o país, ao mesmo tempo que incentiva mais jovens mulheres a ingressarem nesta profissão.
Três engenheiras — Mpho Plaatjie, Roxanne Kenny e Princess Kabala Muke — partilham as suas experiências, focando-se não nos obstáculos, mas nas oportunidades. Elas apelam à nova geração de mulheres para ver a engenharia como uma área onde é possível inovar, liderar e participar na formação do futuro da África do Sul.
Fundado em 1961, o IMESA afirma nunca ter implementado políticas de género formais, concentrando-se na criação de um ambiente profissional para engenheiros municipais baseado na excelência técnica, ética e serviço à comunidade. Atualmente, mais de 30% dos membros da organização são mulheres, muitas das quais ocupam cargos de liderança.
Líderes em várias regiões
Entre estas líderes destacam-se Princess Kabala Muke, presidente da secção do Cabo Ocidental; Roxanne Kenny, presidente da secção de KwaZulu-Natal; e Mpho Plaatjie, presidente da secção do Free State e Cabo Norte. Em vez de se concentrarem nas dificuldades, estas três engenheiras usam o Mês da Mulher para demonstrar as oportunidades disponíveis na engenharia municipal, motivando estudantes, recém-formados e jovens profissionais a escolherem uma carreira que contribua para a prestação de infraestruturas públicas vitais.
Histórias de inspiração
Mpho Plaatjie, engenheira civil e gestora de projetos no município de Mangaung, relatou que o seu interesse pela engenharia surgiu na infância, após viver numa comunidade sem abastecimento de água. Foi inspirada por observar técnicos a instalar uma torneira de água na casa da sua família, o que a levou a dedicar-se à melhoria do acesso à água potável para outras comunidades.
Roxanne Kenny, engenheira civil registada especializada em projeto de abastecimento de água e gestora regional em Etkutwini Municipality, disse que foi inspirada pela sua mãe, que era desenhadora, antes de descobrir a sua paixão pela engenharia hidráulica. Após iniciar a sua carreira em consultoria, observou que trabalhar para o governo local permitiu-lhe acompanhar os projetos desde a fase de conceção até à implementação, fortalecendo o seu compromisso com a engenharia municipal.
Princess Kabala Muke, gestora sénior no departamento de gestão de resíduos urbanos da Cidade do Cabo, partilhou que a vida em Goma, na República Democrática do Congo oriental, mostrou-lhe como a infraestrutura afeta diretamente a qualidade de vida das pessoas. Ela enfatizou que a engenharia não é apenas uma especialidade técnica, mas também uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento económico, construção de nações e transformação social.
Perspetivas e apoio
Estas três engenheiras estão convencidas de que a profissão está a tornar-se cada vez mais inclusiva, à medida que as mulheres assumem cada vez mais liderança em equipas técnicas, gerem programas de infraestrutura e ocupam cargos executivos. No entanto, Plaatjie acredita que os municípios devem continuar a fortalecer os programas de estágio para recém-formados e a expandir as oportunidades de bolsas de estudo para atrair mais jovens engenheiras.
Kenny afirmou que a diversidade enriqueceu a profissão de engenharia, trazendo diferentes perspetivas, enquanto Kabala Muke sublinhou a importância de criar locais de trabalho onde as mulheres possam ser empoderadas para liderar, inovar e influenciar decisões estratégicas. As engenheiras também destacaram o valor das organizações profissionais, como o IMESA, indicando que a mentoria, o networking e o desenvolvimento de competências de liderança são essenciais para apoiar as mulheres ao longo da sua carreira.
Kenny, que cofundou o Portfólio de Jovens Profissionais do IMESA (YP²), disse que esta iniciativa criou oportunidades adicionais para estudantes e engenheiras em fases iniciais da carreira. Este programa foi posteriormente expandido para o Cabo Ocidental sob a liderança de Kabala Muke. A sua mensagem às jovens mulheres que consideram a engenharia é simples: elas pertencem a esta profissão e podem desempenhar um papel significativo na formação do futuro da África do Sul através da provisão de infraestruturas e serviços públicos vitais.



