Elon Musk manifestou sua visão de que, em um prazo de dois a três anos, a forma mais econômica de obter capacidade computacional para Inteligência Artificial (IA) estará no espaço. Essa perspectiva foi apresentada por ele em fevereiro deste ano, durante o anúncio da fusão entre suas companhias SpaceX e xAI.
Inicialmente, a concepção prevê que esses servidores especializados surgirão como uma rede de satélites. Posteriormente, com o avanço da colonização lunar, a Lua se tornará o local desses centros de dados.
Outras entidades também demonstraram interesse nesse conceito: a Alphabet, proprietária do Google, está planejando iniciativas semelhantes, e a Blue Origin, pertencente a Jeff Bezos, já declarou publicamente que essa ideia representa o «próximo passo» em empreendimentos espaciais.
Em junho, Musk avançou em sua ambição ao apresentar o modelo de satélite AI1, desenvolvido especificamente para processamento de dados no espaço e focado em IA. O cronograma estabelecido aponta para os primeiros lançamentos em 2027 e para o início da operação comercial em escala a partir de 2028.
Como funcionaria a operação
Neste modelo operacional, os equipamentos responsáveis por enviar e receber as requisições permaneceriam na Terra, enquanto todo o processamento computacional ocorreria no ambiente espacial. Por exemplo, em uma interação com o ChatGPT, um usuário enviaria uma questão pelo celular, um satélite a receberia, um computador espacial executaria o modelo de IA e o resultado seria devolvido à Terra via laser ou ondas de rádio.
Essa arquitetura poderia ser particularmente vantajosa para tarefas que exigem processamento em lote, tais como o treinamento de modelos, a análise de grandes volumes de dados, o tratamento de imagens de satélite e a realização de simulações científicas.
Um satélite AI1 opera de maneira relativamente simples, sendo equipado com painéis solares para geração de energia, um rack de GPUs dedicado ao processamento computacional e um radiador para dissipar o calor gerado pela operação. Uma unidade desse tipo possui uma potência contínua de 120 kW, o que é comparável ao poder de um rack Nvidia GB300 AI. Segundo a SpaceXAI, Musk estima que seria possível colocar entre 30 e 50 desses satélites em órbita por lançamento, alcançando uma capacidade computacional anual equivalente a 100 GW de processamento energético.
Para concretizar este objetivo, a SpaceXAI está edificando uma fábrica no estado do Texas destinada exclusivamente a esses satélites e seus futuros sucessores, denominados Gigasat.
Desafios e obstáculos
Deixando a Lua de lado momentaneamente e concentrando-se apenas na proposta de uma constelação de satélites, a tecnologia necessária para fabricar esses aparelhos e colocá-los em órbita já está disponível. Contudo, existem várias questões que sugerem que a materialização deste projeto não ocorrerá com a rapidez anunciada por Musk.
Conclusão: implementação distante
A revista IEEE Spectrum realizou uma análise de um cenário hipotético, propondo uma constelação composta por 4.300 satélites com uma capacidade agregada de 1 GW. Cada satélite seria munido de um painel solar medindo 1.024 metros quadrados, capaz de produzir 250 quilowatts. Além disso, o centro de dados integrado em cada satélite conteria um mínimo de 175 GPUs.
O custo total estimado para esta rede ascenderia a aproximadamente US$ 51 bilhões, englobando os custos de lançamento e cinco anos de despesas operacionais. Em contrapartida, um sistema terrestre equivalente custaria cerca de US$ 16 bilhões no mesmo período. Vale ressaltar que, se a operação fosse realizada na Lua, localizada a aproximadamente 384 mil km da Terra, o custo seria significativamente superior.
Portanto, mesmo que Musk apresente projeções de curto prazo para a operação comercial, é mais provável que, nos próximos anos, sejam realizados apenas testes e demonstrações, e não um sistema escalável. Estima-se que levará mais de uma década para que este projeto se torne realidade, assumindo que a bolha da IA não colapse antes.