O chefe de Estado declarou que Moçambique apoia a cooperação regional na área da gestão de bacias hidrográficas. Estas declarações foram feitas durante a celebração do Dia Africano da Descentralização e Desenvolvimento Local, comemorado a 10 de agosto sob o lema 'Governos locais capazes de gerir água e saneamento de forma sustentável: promovendo a criação de cidades e territórios sustentáveis, inclusivos e viáveis em direção à Agenda 2063'.
Um comunicado oficial sublinha a necessidade de uma gestão integrada das bacias hidrográficas através da cooperação transfronteiriça e de iniciativas, dada a vulnerabilidade de Moçambique a fenómenos meteorológicos extremos.
Daniel Chapo considera que o lema das celebrações responde aos desafios do país, especialmente no que diz respeito à melhoria do abastecimento de água, saneamento e construção de infraestruturas sustentáveis face às alterações climáticas, segundo informações da Presidência.
O Presidente de Moçambique também recordou que o país celebra esta data durante a revisão do quadro legal da governação provincial descentralizada, visando fortalecer o processo de 'autonomização' e melhorar a prestação de serviços aos cidadãos pelos municípios.
No seu discurso, Chapo felicitou todos os participantes da autoadministração local e da gestão sustentável dos recursos hídricos, pedindo-lhes que continuem os esforços para consolidar a descentralização com um forte sentido de patriotismo e desejo de servir a sociedade.
Moçambique é reconhecido como um dos países mais afetados pelas alterações climáticas no mundo, pois durante a época das chuvas, que vai de outubro a abril, o país enfrenta ciclicamente inundações e ciclones tropicais.
De acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Gestão e Redução de Riscos de Desastres, 311 pessoas morreram e mais de 1,07 milhão de pessoas foram afetadas no último período chuvoso em Moçambique, a partir de outubro.
Em 2 de julho, foi noticiado que o Banco Mundial forneceu mais de 990 milhões de meticais (13,5 milhões de euros) para apoiar a reconstrução de barragens e represas nas bacias hidrográficas afetadas por inundações recentes nas partes central e sul de Moçambique.
O Ministério dos Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos de Moçambique informou que trabalhos de emergência para a reconstrução destas infraestruturas hídricas serão realizados nas bacias do Limpopo na província de Gaza, Incomati em Maputo e Buzi em Sofala — regiões fortemente afetadas por inundações no início do ano.
Em 29 de julho, foi anunciado que os países da África do Sul iniciaram um exercício regional de resposta a inundações e ciclones em Moçambique. No âmbito deste evento, o país partilha sistemas de alerta precoce e ações preventivas para reduzir os impactos dos desastres naturais.
O exercício decorre na cidade de Nacala, província de Nampula, no norte de Moçambique, onde se reuniram equipas de proteção civil de países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para verificar os mecanismos de coordenação e resposta a inundações, cheias e ciclones. Este formato será realizado a cada dois anos entre os Estados-membros.



