O interino ministro da Ciência, Pesquisa e Tecnologia do Irã, Masoud Shams-Bakhsh, realizou reuniões separadas com representantes da Indonésia e da África do Sul para estudar oportunidades de desenvolvimento da interação científica e tecnológica.
As reuniões ocorreram durante o XIII encontro dos ministros da Educação do BRICS, realizado de 5 a 7 de agosto em Odisha, Índia. Durante as negociações com o Ministro de Educação Superior, Ciência e Tecnologia da Indonésia, Brian Yuliarto, as partes discutiram caminhos para o desenvolvimento de projetos científicos conjuntos, especialmente na área de novas tecnologias.
Yuliarto falou sobre as possibilidades científicas da Indonésia, particularmente nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, e expressou a disposição de Jacarta em implementar programas de pesquisa conjunta, intercâmbio de professores e pós-graduandos, concessão de licenças para trabalho científico e organização de cursos de curta duração em conjunto com Teerã. O funcionário indonésio convidou o Ministro da Ciência, Pesquisa e Tecnologia, Hossein Simai-Sarraf, e Shams-Bakhsh para visitar a Indonésia.
Por sua vez, Shams-Bakhsh enfatizou que os laços culturais, históricos e religiosos antigos entre os dois países criam uma base sólida para expandir a cooperação educacional e de pesquisa. Os principais tópicos de discussão foram o aumento do número de bolsas de estudo, a expansão dos programas de intercâmbio de bolsas, o desenvolvimento de cursos educacionais conjuntos, a realização de pesquisas sobre mudanças climáticas, segurança alimentar, energias renováveis e agricultura. As partes também consideraram a possibilidade de incluir um maior número de universidades iranianas na Rede de Universidades do BRICS, com base na experiência da Indonésia, e destacaram a necessidade de assinar um memorando de entendimento para a rápida implementação dos acordos alcançados.
Em 15 de julho, a Organização Nacional de Ciência do Irã (INSF) e a Agência Nacional de Pesquisa e Inovação da Indonésia (BRIN) realizaram um webinar conjunto intitulado 'Desenvolvimento da Cooperação Científica e de Pesquisa entre Irã e Indonésia: Oportunidades Estratégicas à Frente'. O presidente da INSF, Mortezah Hormozinejad, e o vice-presidente para Promoção de Pesquisa e Inovação, Agus Haryono, participaram do evento. Especialistas e professores de ambos os países também deram palestras sobre os setores de saúde, segurança hídrica e meio ambiente. O evento contribuiu para o avanço das ligações científicas e o desenvolvimento de projetos conjuntos entre Irã e Indonésia.
Em dezembro de 2025, o embaixador da Indonésia em Teerã, Rolliansya Soemirat, declarou que o novo governo indonésio pretende desenvolver laços científico-tecnológicos com o Irã, destacando as vastas oportunidades do Irã em ciência e tecnologia. Segundo Soemirat, a administração espera expandir a cooperação internacional, especialmente nos campos da ciência e tecnologia, o que abre novas oportunidades de interação focada na troca de tecnologias e novos desenvolvimentos, bem como no fortalecimento da parceria tecnológica. Ele fez essas observações em uma reunião com Hossein Rouzbakhsh, chefe da Organização para o Desenvolvimento da Cooperação Internacional em Ciência e Tecnologia. Mencionando sua visita à exposição de realizações na Casa de Inovação e Tecnologia do Irã (iHiT), o embaixador observou que a exposição demonstra apenas parte do potencial do Irã em ciência e tecnologia, confirmando o status do Irã no ecossistema global de ciência e inovação. Ele também salientou que o Irã (mais de 90 milhões de pessoas) e a Indonésia (cerca de 280 milhões de pessoas) representam um grande mercado para produtos e serviços tecnológicos, o que é um fator importante para o avanço das relações bilaterais. Soemirat elogiou a abertura da filial da iHiT em Jacarta, afirmando que o centro pode se tornar a base para futuras parcerias no setor de tecnologia.
Reunião com a Delegação da África do Sul
Shams-Bakhsh também se encontrou com Nomusa Dube-Nkube, vice-ministra de Educação Superior e Ensino da África do Sul. As partes enfatizaram a necessidade de ativar os laços científico-tecnológicos e discutiram maneiras de melhorar a cooperação em diversas áreas de pesquisa e educação. Dube-Nkube expôs o potencial e os interesses da África do Sul no setor educacional, expressando a disposição do país em fortalecer os laços com o Irã em pesquisas conjuntas, intercâmbio de professores e pós-graduandos, concessão de licenças para trabalho científico e organização de cursos educacionais de curta duração. Shams-Bakhsh, por sua vez, discutiu as oportunidades de participação do Irã em iniciativas lideradas pela África do Sul, incluindo o Grupo de Trabalho de Educação do G20 e a cooperação no reconhecimento de qualificações acadêmicas. Ambas as partes demonstraram interesse no desenvolvimento da cooperação em áreas de interesse mútuo, como mineração, metalurgia e energia renovável, e comprometeram-se a desenvolver um acordo de cooperação conjunta em um futuro próximo.
O XIII encontro dos ministros da Educação do BRICS reuniu ministros da educação, altos funcionários e delegados de todos os 10 países membros do BRICS — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos — para aprofundar a cooperação dentro da trilha educacional do BRICS. O encontro foi concluído com a adoção da Declaração dos Ministros da Educação do BRICS, que confirmou a educação como pilar chave da cooperação do BRICS e delineou um plano de ação geral em cinco áreas prioritárias sob a presidência da Índia em 2026. Essas cinco áreas incluem o fortalecimento da primeira infância e alfabetização inicial, o reforço da cooperação no desenvolvimento de habilidades e educação profissional e técnica, a melhoria dos ecossistemas de pesquisa, inovação e startups, a promoção do reconhecimento mútuo de qualificações e o aumento da capacidade para liderança acadêmica e desenvolvimento institucional.
BRICS como plataforma para expansão da cooperação em pesquisa. Um dos principais focos de atividade do BRICS em 2025 foi o desenvolvimento de projetos de pesquisa conjuntos entre os países membros em áreas como inteligência artificial, saúde, energia limpa, segurança alimentar, tecnologias quânticas, ciência de dados e materiais avançados. A adesão do Irã a esta rede oferece oportunidades significativas para cientistas e pesquisadores participarem de projetos internacionais. Em 2025, os países do BRICS discutiram a criação de infraestrutura de dados, o intercâmbio de capacidades de supercomputação, a formação de redes científicas conjuntas e o uso de novas tecnologias para resolver problemas globais. O Irã, com suas capacidades em IA, processamento de dados e empresas baseadas em conhecimento, busca obter uma fatia maior nos futuros projetos tecnológicos do BRICS. O Plano de Ação do BRICS para Inovação de 2025-2030 é um documento que define o roteiro da cooperação entre os países membros na economia digital, transferência de tecnologia, apoio a empresas baseadas em conhecimento e desenvolvimento de ecossistemas de inovação. A participação do Irã neste plano pode abrir caminho para a troca de conhecimentos técnicos, melhoria da cooperação industrial e entrada de empresas iranianas baseadas em conhecimento em novos mercados. O relatório também aponta que o capital humano e a inovação são algumas das principais prioridades do BRICS; os principais eventos nessa área incluem o Xº Fórum de Jovens Cientistas, o VIII Prêmio de Inovador Jovem do BRICS e o primeiro Fórum de Startups do BRICS. A adesão do Irã ao BRICS pode trazer muitos benefícios, como acesso mais amplo a redes científicas e de pesquisa internacionais, participação em projetos conjuntos, aumento da cooperação tecnológica e industrial, aproveitamento do potencial da rede de transferência de tecnologia, desenvolvimento do mercado de empresas baseadas em conhecimento e atração de investimentos para os setores de tecnologia e inovação. O relatório destaca IA, biotecnologia, nanotecnologia, tecnologias quânticas, economia digital e tecnologias espaciais como os eixos mais importantes da futura cooperação entre o Irã e os países do BRICS. Há também um apelo para promover laços científicos entre universidades, centros de pesquisa, empresas baseadas em conhecimento, setor privado e órgãos executivos para criar um mecanismo nacional de coordenação que fortaleça a cooperação com os países do BRICS.