Conforme o mais recente relatório divulgado pelo Ministério da Comunicação congolês, com dados coletados até quinta-feira, o número de óbitos relacionados ao Ebola subiu para 1.887. Este valor representa um aumento de 37 mortes confirmadas em comparação com o que havia sido anunciado na sexta-feira pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
O Governo congolês também informou que o número de indivíduos infectados cresceu, atingindo 4.120 pessoas, um aumento em relação aos 4.053 registrados na sexta-feira. A taxa de letalidade, calculada como a proporção de mortes em relação ao total de doentes, elevou-se para 45,8%, subindo ligeiramente dos 45,7% reportados anteriormente pelo Governo.
O Ministério da Comunicação Congolês detalhou que 721 pacientes se encontram em isolamento ou hospitalizados, enquanto 810 pessoas já se recuperaram da doença. Além disso, a taxa de rastreio de contactos foi registrada em 83,7%.
Até o momento, cinco províncias congolesas foram afetadas pela epidemia de Ebola: Ituri, que é o epicentro do surto; Kivu do Norte, Kivu do Sul e Haut-Uélé, localizadas no leste, além de Tshopo, situada no centro-norte, segundo o Governo.
O ministério congolês especificou que a epidemia permanece concentrada em 53 unidades de saúde distribuídas nessas cinco províncias, sendo Ituri responsável por 86,5% dos casos acumulados.
Na sexta-feira, a epidemia atual foi classificada como o segundo maior surto na história registrada e o maior em termos de infecções na RDCongo. Este cenário supera o surto ocorrido no leste do país entre 2018 e 2020, que resultou em 2.299 mortes e 3.481 casos, conforme noticiado pela agência espanhola Efe.
Segundo a mesma fonte, esta marca representa a décima sétima epidemia a atingir a RDCongo e possui a taxa de crescimento de infeções mais rápida já documentada, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Embora a epidemia atual tenha sido declarada em 15 de maio em Ituri (uma província fronteiriça com o Sudão do Sul e Uganda), ela ainda não se compara à pior da história, que ocorreu na África Ocidental entre 2014 e 2016, causando aproximadamente 11.000 mortes e 28.000 infecções, segundo a Efe.
A epidemia em questão está associada à estirpe Bundibugyo, cuja taxa de letalidade oscila entre 30% e 50%. A Organização Mundial da Saúde esclarece que não há vacina ou tratamento específico autorizado para esta estirpe.
O vírus Ebola é transmitido através do contato direto com fluidos corporais de seres humanos ou animais infectados e pode provocar febre hemorrágica grave, vômitos, diarreia e hemorragias internas.


