Em comemoração ao Dia da Mulher Agricultora, ativistas declararam que as condições de trabalho às vezes afetam negativamente seu bem-estar e saúde mental.
Em comemoração ao Dia da Mulher Agricultora, ativistas declararam que as condições de trabalho às vezes afetam negativamente seu bem-estar e saúde mental.
Eliza Gerda Buiks, fundadora da G&E Beukes Boerdery, localizada a 15 km de Keimasc, no Cabo Norte, compartilhou sua experiência. Ela observou que trabalhar em um setor dominado por homens representa um grande desafio, mas ela mantém a resiliência.
Buiks relatou que nos leilões, os compradores frequentemente se dirigem aos homens próximos, ignorando-a, mesmo sendo ela a proprietária do gado. No início desse processo, a necessidade constante de provar sua competência causava grande tensão, levando a sentimentos de insignificância e ansiedade, além de dúvidas sobre suas decisões, que eram, na verdade, bem fundamentadas. Com o tempo, ela aprendeu a lidar com isso mentalmente, afirmando que seus resultados falam por si mesmos e que a competência não requer validação externa.
Além disso, Buiks apontou a pressão financeira, visto que é mais difícil para as mulheres obterem empréstimos ou apoio. Ela também se preocupa constantemente com a segurança, como ao inspecionar cercas sozinha ou viajar para assentamentos remotos, além dos furtos de gado. Ela enfatizou que esse nível baixo de vigilância é, por si só, uma carga mental silenciosa que muitos homens neste setor não experimentam na mesma medida.
Rebane Alesia Paul, agricultora que se dedica à pecuária e agricultura em Ghaniese, Noroeste, acredita que é exaustivo para as mulheres terem que provar constantemente sua capacidade de liderança, o que pode levar ao esgotamento emocional e à diminuição da autoconfiança. Ela observou que muitas agricultoras trabalham em áreas remotas onde o acesso a serviços de saúde mental, redes agrícolas e grupos de apoio é limitado, o que intensifica o sentimento de solidão e dificulta a discussão de problemas.
Paul explicou que as mulheres que gerenciam fazendas ou empresas agrícolas podem sentir a pressão de ter que alcançar o sucesso enquanto cumprem as expectativas de cuidadoras, mães, esposas ou membros da comunidade. Ela salientou que o apoio à saúde mental das agricultoras requer o reconhecimento de que suas dificuldades são não apenas agrícolas, mas também sociais e emocionais. Segundo ela, garantir o acesso a recursos, mentoria, redes agrícolas e apoio à saúde mental ajudará as agricultoras a prosperar e fortalecerá o setor agrícola sul-africano.
Emerintia Patientia, consultora independente no setor agrícola, afirmou que qualquer trabalhadora carrega múltiplas funções, o que pode ser muito estressante. Ela esclareceu que uma agricultora não deve apenas gerenciar um negócio, mas também fazê-lo lucrativo. Além do trabalho árduo de gerir uma fazenda com sucesso, ela precisa cuidar de sua família. A atividade criminosa pode causar medo intenso em uma mulher, provocando ansiedade e estresse; se ela não tiver um parceiro de apoio, isso se torna um fardo pesado e aumenta a pressão financeira.
Patientia também indicou que problemas estereotipados persistem no mundo moderno, fazendo com que as mulheres sejam vistas como menos capazes que os homens, especialmente em papéis tradicionalmente ligados ao trabalho masculino. Como resultado, as mulheres frequentemente trabalham com menos recursos e sistemas de apoio, o que leva a níveis mais altos de ansiedade e esgotamento. Além disso, as mulheres enfrentam menor acesso à propriedade de terras, financiamento, treinamento e tomada de decisões, o que gera incerteza constante. Ela acrescentou que, embora a situação tenha melhorado em comparação com anos anteriores, grandes problemas ainda persistem.
Buiks compartilhou métodos que a ajudaram a superar as dificuldades. Ela observou que a verdadeira proteção para sua saúde mental foi a comunidade. As agricultoras ao seu redor passaram a se interessar mais umas pelas outras, compartilhando práticas eficazes, alertando umas às outras sobre riscos e simplesmente perguntando: 'Como você está lidando com isso?'. Ela também aprendeu a praticar o autocuidado prático: estabelecer pequenos limites para descanso, conversar com alguém quando fica muito difícil e não tentar suportar o esgotamento em silêncio.
Ao longo de muitas gerações, as mulheres foram valorizadas pela sua resiliência, por unirem famílias, apoiarem comunidades e superarem dificuldades. Até o provérbio «Wathint' abafazi, wathint' imbokodo» («Um golpe na mulher é um golpe na pedra») reflete essa resistência.
No entanto, por trás dessa força, há mulheres que frequentemente carregam silenciosamente cargas emocionais, físicas e mentais. No Mês da Mulher, especialistas em saúde mental lembram que cuidar de si mesmo não é egoísmo, mas sim um componente vital para manter o bem-estar.
Em uma sociedade onde muitas mulheres conciliam carreira, criação de filhos, responsabilidades de cuidado, pressão financeira e problemas pessoais, os psicólogos consideram a autoajuda uma ferramenta indispensável para prevenir o esgotamento e proteger a saúde mental.
A Psychological Society of South Africa (PsySSA) enfatiza a importância do bem-estar psicológico e a promoção de práticas de saúde mental que respondam às realidades enfrentadas pelos habitantes da África do Sul. Defensores da saúde mental observam que as mulheres são frequentemente ensinadas a colocar as necessidades dos outros acima das suas.
A expectativa de corresponder ao ideal de ser 'forte' pode levar as mulheres a ignorar sinais de exaustão emocional, estresse ou angústia até atingirem um ponto crítico. Muitos acreditam erroneamente que cuidar de si mesmo significa procedimentos caros, férias ou luxos. No entanto, os psicólogos afirmam que isso muitas vezes reside em ações diárias simples que promovem o equilíbrio emocional.
Tais ações incluem estabelecer limites, garantir descanso suficiente, manter relacionamentos saudáveis, reservar tempo para atividades prazerosas, buscar apoio e reconhecer a necessidade de ajuda profissional. Embora as práticas de autoajuda possam variar para cada mulher, os psicólogos recomendam pequenos passos regulares que apoiem o estado físico e emocional.
Esses passos podem incluir dormir o suficiente, manter uma rotina saudável, fazer exercícios físicos, passar tempo na natureza, praticar mindfulness, manter um diário, socializar com amigos e familiares de apoio, estabelecer limites saudáveis, dedicar tempo a hobbies, realizar exames médicos, fazer pausas sem culpa e procurar aconselhamento profissional quando as dificuldades se tornam insuportáveis. Os especialistas alertam que ignorar as necessidades pessoais pode contribuir para estresse crônico, fadiga emocional e sentimentos de opressão. A autoajuda não é a busca pela perfeição, mas sim a criação de espaço para a recuperação e o reconhecimento das próprias necessidades.