Apesar da melhoria geral na disponibilidade de eletricidade no país, quase 400 escolas públicas sul-africanas enfrentaram interrupções prolongadas ou totais no fornecimento de energia nos últimos dois anos.
A Ministra da Educação Básica, Sivive Govuabe, informou no Parlamento que 397 instituições de ensino foram afetadas no período de abril de 2024 a março de 2026. As causas dessas interrupções foram citadas como danos à infraestrutura, falhas em transformadores, vandalismo, falhas no fornecimento de eletricidade e disputas de faturamento.
Esses dados foram apresentados em uma resposta parlamentar por escrito pela deputada do EFF, Laetitia Arries, que solicitou informações sobre o número de escolas afetadas e as medidas tomadas para garantir um fornecimento de energia estável.
Arries observou que, nos últimos dois anos, muitas escolas em todo o país funcionaram sem eletricidade por longos períodos. Govuabe esclareceu que os números são baseados em relatórios dos departamentos provinciais de educação.
Distribuição dos problemas por província
O maior número de escolas afetadas foi registrado na província do Cabo Oriental, com 324 dos 397 casos, o que excede oito em dez relatórios nacionais. A província de Gauteng registrou 19 casos, seguidos por Free State e Mpumalanga com 13 escolas cada, KwaZulu-Natal com 12, enquanto Limpopo, Cabo Norte e Cabo Ocidental relataram cinco escolas afetadas, e o Noroeste, apenas uma.
Govuabe enfatizou que esta estatística não deve ser interpretada como o número total de escolas que ficaram sem eletricidade. Ela explicou que apenas as informações sobre escolas específicas registradas pelos departamentos provinciais no período de relatório estão incluídas, e não incidentes isolados de desligamento. Além disso, acrescentou que a natureza e a duração das interrupções variaram entre escolas e províncias, e alguns departamentos indicaram a periodicidade dos desligamentos.
Causas das falhas relacionadas à infraestrutura e ao fornecimento
Esses dados surgem em meio a declarações do governo sobre o progresso na estabilização do fornecimento de energia após anos de cortes programados, com o foco mudando para o aumento da confiabilidade de todo o sistema. O Presidente Cyril Ramaphosa declarou, em seu discurso sobre o estado da nação em 2026, que o governo havia 'acabado com os cortes programados' e criado um sistema de energia mais resiliente. Ele destacou a necessidade de transformar o sistema energético para garantir a segurança energética a longo prazo.
No entanto, o governo reconheceu que as melhorias na geração de energia não eliminam automaticamente os problemas nas redes de distribuição locais. O Ministro da Energia, Kgosiyenso Ramokgopa, apontou anteriormente dificuldades nos sistemas de distribuição, incluindo pressão sobre a infraestrutura, vandalismo e conexões ilegais, afirmando que algumas interrupções estão relacionadas a problemas de rede, e não à falta de capacidade de geração. Ele afirmou: 'Não é um problema de geração. É uma medida localizada de proteção de rede.'
O relatório de Govuabe reflete dificuldades semelhantes no nível escolar: os departamentos provinciais relatam que as interrupções são causadas por falhas na infraestrutura elétrica, danos a transformadores, falhas no fornecimento de eletricidade, vandalismo e roubos, bem como disputas relacionadas a pagamentos e uso compartilhado de transformadores com comunidades vizinhas. A Ministra esclareceu que nem todos os casos estão relacionados à ausência de infraestrutura elétrica nas escolas; em vários casos, as escolas tinham conexão, mas sofriam interrupções devido a falhas ou disputas no sistema externo de fornecimento de energia.
De acordo com os Regulamentos relativos aos padrões mínimos uniformes para a infraestrutura de escolas públicas, cada escola pública deve ter um fornecimento de eletricidade adequado, de acordo com as leis aplicáveis e suficiente para as necessidades da escola. Os tipos de fornecimento permitidos incluem eletricidade da rede, geradores, energia solar e eólica.
Medidas de resposta e apoio
Os departamentos provinciais de educação relataram várias medidas de intervenção, incluindo a instalação de painéis solares onde possível, fornecimento de geradores temporários até que soluções permanentes sejam desenvolvidas. Eles também interagiram com municípios, Eskom e outros fornecedores de energia para restaurar o fornecimento, reparar infraestruturas danificadas e garantir transformadores dedicados em escolas afetadas pelo uso compartilhado da infraestrutura. Para as escolas, a eletricidade confiável é fundamental para o aprendizado, laboratórios de informática, conectividade com a internet, sistemas administrativos, infraestrutura de segurança e outras operações diárias.
Govuabe afirmou que os departamentos provinciais de educação permanecem responsáveis pelo planejamento, implementação e manutenção da infraestrutura escolar, enquanto o Departamento de Educação Básica estabelece normas e padrões nacionais e supervisiona seu cumprimento. O tempo necessário para restaurar a eletricidade depende da causa de cada interrupção. Ela concluiu que a intervenção necessária e o tempo para recuperação ou estabilização do fornecimento diferem dependendo da causa da interrupção, do fornecedor de energia responsável, das condições específicas da instalação e da disponibilidade de infraestrutura e financiamento necessários.

