Os teatros Amazonas e Theatro da Paz foram oficialmente inscritos como um único bem cultural, denominado “Teatros da Amazônia”, e assim se tornam o primeiro Patrimônio Mundial Cultural da Região Norte do Brasil.
Reconhecimento Internacional
O Brasil expandiu sua lista de bens culturais reconhecidos pela Unesco com este novo título. O Teatro Amazonas, localizado em Manaus, e o Theatro da Paz, situado em Belém, receberam o status de Patrimônio Mundial Cultural na segunda-feira, dia 27. Este anúncio ocorreu em Busan, na Coreia do Sul, durante a reunião do Comitê do Patrimônio Mundial na assembleia anual da entidade.
Embora estejam em cidades distintas, a Unesco os reconheceu conjuntamente como um único patrimônio devido à sua conexão histórica com o ciclo da borracha na Amazônia no final do século XIX. Este reconhecimento encerra um processo iniciado pelo Comitê do Patrimônio Mundial, que envolveu avaliações técnicas de órgãos independentes e análise dos 21 membros do comitê, responsáveis por aprovar, alterar ou rejeitar a inscrição.
Símbolos da Era de Ouro
A dupla de teatros grandiosos simboliza o auge econômico da região amazônica durante o século XIX, impulsionado pela extração de borracha, que fomentou o crescimento das metrópoles Manaus e Belém. Os edifícios foram erguidos como manifestação do prestígio da elite local.
O Theatro da Paz, inaugurado em 1878, e o Teatro Amazonas, inaugurado em 1896, figuraram entre as primeiras grandes casas de ópera das Américas, atraindo companhias europeias para ambas as cidades. Foi essa trajetória compartilhada que motivou a Unesco a agrupá-los sob um título unificado, ressaltando que ambos representam um projeto de modernização regional, mesclando influências arquitetônicas europeias com elementos e referências da floresta.
Detalhes do Theatro da Paz
Considerado um cartão-postal de Belém, o Theatro da Paz é visto como a pioneira casa de espetáculos da Amazônia e ainda hoje domina a paisagem da Praça da República, um ponto tradicional da cidade. Sua elegância é notável desde a entrada, com lustres de cristal, piso em mosaico de madeiras nobres, bustos de mármore de Carrara de José de Alencar e Gonçalves Dias, e detalhes dourados, criando um ambiente típico da Belle Époque.
Na sala de espetáculos, o teto chama a atenção com um afresco que ilustra Apolo e Afrodite conduzindo as musas das artes à Amazônia. O espaço comporta 880 pessoas sentadas em cadeiras de época de madeira. Visitas guiadas estão disponíveis de terça a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 17h, e aos sábados e domingos, das 9h às 12h. O tour tem duração aproximada de 45 minutos e os grupos partem continuamente. O custo do tour é de R$ 10, com ingressos vendidos na bilheteria local, sendo necessário agendamento prévio por e-mail para grupos fechados com mais de seis pessoas.
Características do Teatro Amazonas
Localizado no Largo de São Sebastião, o Teatro Amazonas foi projetado para demonstrar o poderio econômico de Manaus no século XIX. Sua estrutura inclui elementos como escócia, mármore de Carrara nas colunas e escadas, e lustres importados da Itália.
A sala principal acomoda 684 espectadores e destaca-se pelo teto côncavo adornado com quatro telas vindas da França, representando música, dança, tragédia e ópera, além de homenagear o compositor brasileiro Carlos Gomes. As colunas exibem máscaras que reverenciam figuras como Mozart, Verdi, Rossini, Molière e Aristófanes. Adicionalmente, o Salão Nobre exibe a pintura “A glorificação das Bellas Artes da Amazônia”, obra de Domenico de Angelis, datada de 1899.
Os passeios guiados ocorrem de terça a sábado, das 9h às 17h, e aos domingos e feriados, das 9h às 13h, com saídas programadas a cada meia hora. A entrada custa R$ 20, vendida na bilheteria, mas moradores de Manaus têm acesso gratuito mediante comprovação de residência. A agenda de espetáculos é publicada mensalmente no site Cultura do AM, administrado pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas.