A SpaceX tem a intenção de estabelecer fábricas na Lua com o propósito de produzir satélites de inteligência artificial e outros componentes essenciais para sua futura constelação orbital. Essa estratégia foi confirmada por Elon Musk durante a primeira teleconferência trimestral da empresa, realizada na terça-feira, 4 de agosto, quando ela operava como companhia de capital aberto.
De acordo com o empresário, a concretização deste projeto depende tanto do transporte de grandes quantidades de material até a superfície lunar quanto da utilização de robótica nas operações industriais. O objetivo é aproveitar a infraestrutura do corpo celeste natural para aumentar gradualmente a capacidade produtiva da SpaceX.
O plano contempla, em uma fase subsequente, o envio dos equipamentos manufaturados na Lua através de aceleradores eletromagnéticos de massa. Esta proposta visa aumentar significativamente o número de sistemas de inteligência artificial enviados ao espaço, incluindo a produção de radiadores e energia solar no ambiente lunar.
A concepção de usar a Lua como um centro de fabricação não foi introduzida nesta teleconferência; Musk já havia apresentado essa ideia em fevereiro, em um comunicado ligado à aquisição da xAI pela SpaceX. Nessa época, a empresa também sinalizou que a manufatura fora da Terra fazia parte de seus objetivos de longo prazo.
As instalações planejadas terão como função primordial a criação dos satélites Starmind, um sistema que a SpaceX almeja desenvolver em uma vasta constelação orbital. Este projeto prevê até um milhão de unidades e inclui a utilização da nave Starship para levar a iniciativa para além da órbita terrestre.
Para viabilizar a operação lunar, a companhia está apostando fortemente na automação. Musk declarou que robôs poderão assumir uma parcela considerável do trabalho necessário para montar e expandir as fábricas, embora o texto não detalhe quais máquinas comporão essa força de trabalho.
Uma possibilidade mencionada na reportagem é o uso do Optimus, um robô humanoide desenvolvido pela Tesla, outra empresa ligada a Musk. O empresário já havia afirmado que unidades desse sistema poderiam ser transportadas pela SpaceX para Marte, visando apoiar os preparativos para uma futura colonização humana.
A produção lunar não se limitará apenas aos satélites. Entre os itens listados estão painéis solares, responsáveis pelo suprimento energético, e radiadores, necessários para dissipar o calor gerado pelos equipamentos no espaço.
Após o estabelecimento dessa estrutura, a SpaceX pretende empregar aceleradores eletromagnéticos de massa instalados na Lua para lançar os satélites produzidos localmente. Tal método serviria como uma alternativa aos procedimentos tradicionais de transporte e dependeria da existência prévia de uma cadeia industrial lunar bem estabelecida.
A Starship é crucial neste planejamento. O foguete totalmente reutilizável será responsável por transportar robôs e cargas para a Lua e terá um papel vital nos demais empreendimentos espaciais da empresa. Segundo Bret Johnsen, diretor financeiro da SpaceX, este veículo foi concebido para quadruplicar a capacidade de carga e reduzir em dez vezes os custos de lançamento em comparação com o Falcon 9.
A companhia também busca manter uma cadência de lançamentos muito mais elevada. As iniciativas incluem o aumento na produção dos motores Raptor, a ampliação das instalações de fabricação e a ativação de múltiplos locais de lançamento em Starbase, localizado no sul do Texas, além das estruturas previstas para os complexos 39A e 37, em Cape Canaveral.
A estratégia lunar foi apresentada no mesmo evento em que a SpaceX divulgou seus primeiros resultados financeiros como empresa aberta. No segundo trimestre de 2026, a empresa registrou uma receita de US$ 7,8 bilhões, representando um aumento de 92% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar desse crescimento na receita, a companhia encerrou o trimestre com prejuízo, que foi de US$ 541 milhões, um valor menor que o déficit de US$ 1 bilhão registrado no segundo trimestre de 2025.


