Na cidade de Guao, conhecida na China como a 'Cidade da Lingerie', uma parte significativa da economia local baseia-se no negócio de produção de sutiãs, biquínis e lingerie. Milhões de peças são produzidas anualmente e enviadas tanto para o mercado interno chinês quanto para outros países.
Em uma das fábricas de Guao, cerca de 30 a 40 mil sutiãs e roupas íntimas com forro grosso são produzidos diariamente. Os trabalhadores na linha de produção realizam tarefas repetitivas: um funcionário completa sua parte do trabalho e o item é passado para o próximo especialista para processamento adicional.
Milhares de pequenas e grandes fábricas operam em Guao, dedicadas à produção de lingerie. De acordo com os dados disponíveis, aproximadamente 350 milhões de sutiãs e 430 milhões de biquínis e roupas íntimas são fabricados na cidade anualmente. A produção industrial da cidade é estimada em 80% ligada a produtos pertencentes à indústria de lingerie.
O assunto da lingerie não se limita apenas às fábricas; é possível ver publicidade de lingerie em grandes painéis com modelos por toda a cidade. É por isso que as autoridades locais chamam Guao de 'Cidade da Lingerie'. Este setor é a principal fonte de emprego e renda para milhares de pessoas ligadas a este negócio direta ou indiretamente.
A história da produção de lingerie em Guao começou por volta de 1982. O crescimento deste setor foi apoiado por investimentos vindos de Hong Kong e Taiwan vizinhos. Graças à localização da cidade e ao custo relativamente baixo da mão de obra, as fábricas começaram a expandir-se ativamente, especialmente entre 1995 e 2005, permitindo que Guao se tornasse um importante centro industrial.
A força da cidade tornou-se sua principal vulnerabilidade, pois toda a indústria está concentrada em um único setor. Qualquer queda na produção de lingerie ou aumento da concorrência de outros países afeta diretamente toda a cidade. Os proprietários de fábricas notam o aumento constante dos custos de produção, mas os consumidores não estão dispostos a pagar preços significativamente mais altos, o que prejudica as pequenas e médias empresas.
Guao enfrenta problemas não apenas no mercado interno. Países como Tailândia e Vietnã competem ativamente com a China na produção de lingerie. Em alguns casos, a produção nesses países é mais vantajosa devido a impostos e custos de produção menores. Após 2008, parte dos pedidos de lingerie de médio e baixo custo começou a migrar da China para esses países, o que reduziu as exportações de Guao.
Apesar do rápido crescimento econômico da China, muitas cidades industriais pequenas, como Guao, não conseguiram diversificar suas economias. A dependência excessiva da indústria de lingerie causa preocupação entre os moradores. Muitas pessoas se mudam para cidades vizinhas ou outros países em busca de melhores empregos e futuro, e alguns proprietários de fábricas fecham seus negócios e deixam a cidade.
A história de Guao reflete a situação de muitas cidades chinesas onde toda a economia local gira em torno da produção de um único tipo de produto — seja brinquedos de plástico ou têxteis. Essas 'cidades de uma única indústria' desempenharam um papel importante na transformação da China em um centro de produção mundial. No entanto, sua fraqueza reside no fato de que a entrada de outro país no mercado com produção barata pode pressionar toda a economia local.
Hoje, em Guao, ainda se ouve o zumbido das máquinas de costura e se veem montanhas de lingerie, mas por trás desses milhões de sutiãs e roupas íntimas surge a questão: quão capaz será a cidade de se transformar em um cenário em que toda a sua economia depende de um único setor?