Um novo tratamento para o HIV, tomado uma vez por semana, tem atraído atenção devido aos resultados dos ensaios clínicos, abrindo a possibilidade para algumas pessoas vivendo com HIV tomarem medicamentos semanalmente em vez de diariamente. Esses desenvolvimentos ocorrem em meio ao crescente interesse dos pesquisadores por métodos de tratamento de longa duração para o HIV, que podem reduzir a frequência da medicação mantendo a supressão viral.
O tratamento diário permanece como padrão
A administração de antirretrovirais diariamente continua sendo um elemento chave na terapia do HIV na África do Sul. As diretrizes nacionais do Departamento de Saúde recomendam a terapia antirretroviral para pessoas vivendo com HIV com o objetivo de alcançar e manter a supressão viral. Essas recomendações incluem tratamento baseado em dolutegravir, que é tomado uma vez por dia junto com outros antirretrovirais em esquemas amplamente aceitos.
A administração diária já está estabelecida e faz parte do programa nacional de combate ao HIV na África do Sul. No entanto, para muitos pacientes, lembrar-se da ingestão diária de medicamentos pode ser difícil. Esquecer doses, viagens, necessidade de confidencialidade e gerenciamento de medicamentos dentro da rotina diária podem afetar a regularidade da administração.
O que é o comprimido semanal?
O novo medicamento é uma combinação de dois fármacos — integravir e lenacapavir — em uma forma oral em estudo, destinada à administração uma vez por semana. Os resultados do estudo de fase 3 ISLEND-1 mostraram que o tratamento semanal manteve a supressão viral em adultos vivendo com HIV que já tinham supressão viral e haviam feito a transição do tratamento diário existente. Após 48 semanas, o tratamento semanal foi considerado não inferior ao Biktarvy, um medicamento diário para o tratamento do HIV.
O segundo estudo de fase 3, ISLEND-2, também investigou essa combinação semanal em pessoas que já haviam alcançado a supressão viral e mudado do tratamento padrão diário do HIV. No entanto, deve-se notar que esses resultados não significam que o comprimido semanal já esteja disponível para os pacientes. O tratamento ainda é experimental, e espera-se que os desenvolvedores apresentem dados de ensaios clínicos às autoridades reguladoras para análise.
Qual é a maior diferença?
A diferença mais óbvia e significativa reside na frequência de administração. Pacientes que tomam o tratamento diário padrão para HIV precisam tomar o medicamento todos os dias. O tratamento em estudo reduz essa frequência para uma dose por semana. Isso pode facilitar o tratamento para algumas pessoas que têm dificuldade com a rotina diária de medicação.
No entanto, a redução da frequência de medicação não significa que a adesão se torne menos importante. O tratamento semanal ainda deve ser tomado de acordo com o cronograma prescrito. Além disso, as abordagens diferem em termos de disponibilidade: o tratamento diário do HIV já foi implementado no sistema de saúde sul-africano, enquanto a combinação semanal ainda não foi aprovada para uso de rotina.
E quanto às injeções de longa duração para o HIV?
O comprimido semanal faz parte de uma tendência mais ampla em direção a medicamentos para o HIV que não exigem administração diária. De acordo com os dados dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, os medicamentos de longa duração para o HIV podem ser administrados em intervalos de duas semanas a seis meses, dependendo do medicamento específico.
A Organização Mundial da Saúde também recomendou os medicamentos injetáveis de longa duração cabotegravir e rilpivirina como uma opção alternativa de troca para pessoas adequadas que atingiram supressão viral completa com o tratamento oral. A África do Sul também está implementando o lenacapavir injetável de longa duração para a prevenção do HIV. É importante não confundir prevenção e tratamento: o uso de um medicamento para prevenir o HIV não garante que o mesmo produto esteja disponível ou aprovado para tratar pessoas já infectadas pelo HIV.
O tratamento semanal pode melhorar a adesão ao tratamento?
Isso pode potencialmente simplificar o tratamento para alguns pacientes. A OMS destacou os problemas de adesão associados ao tratamento oral diário e acredita que os medicamentos de longa duração para o HIV podem oferecer benefícios, como redução da frequência de dosagem, conveniência e privacidade.
Ao mesmo tempo, a OMS destacou desafios como custo, disponibilidade, resistência a medicamentos e implementação no sistema de saúde como aspectos importantes na introdução de medicamentos de longa duração para o HIV. Assim, o comprimido semanal poderia se tornar uma solução intermediária entre os comprimidos diários e os métodos injetáveis de longa duração: os medicamentos ainda seriam tomados em casa, mas com muito menos frequência.
Isso significa substituição dos ARVs diários?
Não. Os novos dados não implicam que pessoas vivendo com HIV devam parar de tomar seus medicamentos atuais ou mudar de tratamento. As diretrizes de tratamento do HIV na África do Sul permanecem válidas, e a combinação semanal ainda está em fase de pesquisa. Novos estudos apontam para um futuro em que as pessoas com HIV podem ter mais opções de tratamento, dependendo da aprovação regulatória, viabilidade clínica e disponibilidade.
Atualmente, as pessoas vivendo com HIV devem continuar tomando os medicamentos conforme prescrito pelo médico e consultar seu profissional de saúde antes de fazer quaisquer alterações no tratamento.