De acordo com dados publicados na quinta-feira pelos órgãos nacionais de saúde, mais de 4000 casos confirmados de Ebola e 1850 mortes foram registrados na República Democrática do Congo (RDC).
Atualmente, 694 pacientes estão sob observação em hospitais ou em isolamento, e 793 pessoas se recuperaram. A organização humanitária médica Médicos Sem Fronteiras informou que a transmissão do vírus no leste da RDC continua a acelerar sem sinais de desaceleração, classificando o surto de Ebola como 'mais crítico do que nunca'.
As crianças constituem uma parte significativa das vítimas. Dados da UNICEF mostram que pelo menos 743 crianças menores de 18 anos foram infectadas pelo vírus, resultando em 330 mortes. Embora os adolescentes representem menos de um quarto dos casos totais, eles são responsáveis por quase um terço de todas as mortes; além disso, a taxa de mortalidade em crianças menores de cinco anos excede em mais de duas vezes os índices em adultos.
O medo da infecção também levou à redução das vacinações infantis programadas e dos cuidados maternos em áreas severamente afetadas, como a província de Ituri.
Segundo o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), o foco de disseminação expandiu-se de nove para 51 zonas de saúde, tornando-o mais abrangente do que casos anteriores no país.
O diretor-geral do Africa CDC, Jean Kasaya, apontou várias limitações operacionais, incluindo rastreamento de contatos de baixa qualidade, capacidade hospitalar insuficiente, falta de financiamento, instabilidade local e potenciais mutações do vírus.
Enquanto o vizinho Uganda conseguiu conter a disseminação local graças a medidas rápidas de contenção, os órgãos de saúde pública classificaram 11 países regionais — incluindo Sudão do Sul, Ruanda e Quênia — como zonas de alto risco, pedindo um aumento na distribuição internacional de recursos para preencher as lacunas na contenção.
