De acordo com informações fornecidas por uma fonte diplomática, Marrocos assumiu compromissos claros em relação ao retorno de crianças desacompanhadas ao país de origem, desde que haja instruções apropriadas do Rei Mohammed VI.
A fonte observou que alguns políticos e meios de comunicação espanhóis interpretam a situação como se Marrocos tivesse violado seus acordos, mas a fonte rejeitou essa interpretação, criticando o uso desse problema para fins políticos.
Na semana passada, cerca de 72.000 pessoas entraram na cidade autônoma de Ceuta, localizada no Norte da África, e, segundo as autoridades espanholas, 70.000 delas já retornaram a Marrocos. Além disso, pelo menos 82 pessoas morreram ao tentar chegar a Ceuta nadando.
Ceuta, uma pequena região com uma população de 80.000 habitantes, está no extremo norte de Marrocos, banhada pelo Estreito de Gibraltar, e é uma das duas fronteiras terrestres entre a África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilha.
Entre os migrantes que permaneceram na cidade espanhola, há dezenas de crianças desacompanhadas. Segundo uma fonte marroquina, a questão do retorno dessas crianças já foi discutida em uma declaração conjunta do Ministério do Interior de Marrocos e da Espanha em junho de 2021.
A fonte enfatizou que a identificação das crianças 'não é um obstáculo para o seu retorno'. Ele esclareceu que o principal problema reside nas medidas administrativas e, por vezes, judiciais na Espanha. De acordo com ele, uma criança não pode retornar ou usufruir da operação de cooperação devido aos obstáculos existentes na legislação espanhola, que prevê uma abordagem especial para crianças.
A fonte diplomática também mencionou que algumas organizações não governamentais (ONGs) defendem uma posição que, em sua opinião, contribui para a permanência das crianças nos centros de acolhimento na Espanha. Essa situação leva Marrocos a ser acusado de falta de vontade política para realizar o retorno, quando, segundo ele, 'a realidade é completamente diferente'.
Ele destacou especialmente que Marrocos sempre esteve pronto para esta questão, e um acordo foi alcançado no mais alto nível do Estado. Marrocos cumpre seus compromissos e deseja continuar a fazê-lo, desde que os barreiras legais e administrativas sejam removidas para trabalhar nesta área sem problemas.
Em 2024, o ministro das Relações Exteriores de Marrocos, Nasser Bourita, declarou novamente a disposição de Rabat em receber suas crianças desacompanhadas nos países da União Europeia. Ele apontou as lacunas na legislação e nos procedimentos europeus como um dos principais obstáculos para o seu retorno. Bourita também apelou na época pela busca de soluções para superar esses obstáculos, que, na opinião do ministro, podem contribuir para as atividades de redes de tráfico de pessoas.