Uma nova pesquisa científica estabeleceu que as diatomáceas, um importante indicador biológico da saúde dos rios, são muito menos exigentes quanto ao local de habitação do que se supunha anteriormente. O estudo, realizado pelo Agharkar Research Institute, Savitribai Phule Pune University e Canadian Museum of Nature, Canadá, demonstrou que essas algas microscópicas quase não apresentam preferência de crescimento tanto em pedras submersas quanto em caules de plantas aquáticas.
Os resultados indicam que os pesquisadores podem adotar uma abordagem mais flexível ao coletar amostras desses organismos para detectar a poluição dos rios. Em vez de procurar tipos específicos de rochas, que são o padrão ouro atual em muitos guias de monitoramento, agora qualquer superfície disponível pode ser usada de forma confiável, simplificando e barateando significativamente o processo de amostragem em rios tropicais.
As diatomáceas são algas unicelulares encapsuladas em conchas de sílica. Como diferentes espécies de diatomáceas possuem limiares de tolerância muito específicos a poluentes, acidez e nutrientes, elas são frequentemente usadas como indicadores da saúde do ecossistema. Na Europa e na América do Norte, décadas de pesquisas frequentemente apontaram diferenças entre diatomáceas que vivem em rochas e aquelas que vivem em plantas, o que exigia extrema cautela dos cientistas na coleta de amostras para evitar uma visão distorcida do ambiente.
No entanto, um novo estudo realizado nos Ghats Ocidentais — um dos centros de biodiversidade mais importantes do mundo — questiona essa suposição para sistemas tropicais. Ao analisar 40 locais nos Ghats Ocidentais, o grupo de pesquisa descobriu que as comunidades de diatomáceas em ambos os tipos de superfícies eram praticamente idênticas.
Os cientistas descobriram que fatores como nível de fósforo, temperatura da água e condutividade elétrica influenciam a formação das comunidades de diatomáceas treze vezes mais do que o tipo de superfície onde as algas estão fixadas. Muitos riachos nos Ghats Ocidentais apresentaram um alto teor natural de fósforo — um nutriente que frequentemente limita o crescimento de diatomáceas em outros locais. Essa alta disponibilidade de nutrientes, combinada com temperaturas tropicais relativamente estáveis, aparentemente cria um efeito de seleção de espécies.
As condições hídricas locais funcionam como um filtro biológico, determinando quais espécies conseguem sobreviver em uma determinada seção do rio, independentemente de pousarem em uma pedra ou em uma folha. O estudo também revelou um notável nível de singularidade regional: mais de 57% das espécies são endêmicas desta região, ou seja, encontradas apenas nesta parte da Índia. Este nível de endemismo é significativamente maior do que o observado tipicamente em rios da Europa ou América do Norte.
A equipe também estabeleceu que, sob as condições quentes e estáveis dos Ghats Ocidentais, as diatomáceas tendem a ser generalistas, e não especialistas. Diante da crescente pressão sobre os Ghats Ocidentais devido à urbanização, agricultura e mudanças climáticas, a necessidade de monitoramento rápido e confiável da água nunca foi tão premente. Ao demonstrar a flexibilidade das diatomáceas no uso do habitat, este estudo permite o desenvolvimento de métodos de monitoramento independentes do substrato.
Isso significa que, mesmo em rios lamacentos, onde as pedras estão enterradas, ou em correntes rápidas, onde as plantas são escassas, os cientistas podem obter dados precisos sobre a condição da água usando tudo o que está disponível. Tal adaptabilidade facilita o controle contínuo dos recursos hídricos por comunidades locais e ativistas ambientais, garantindo a preservação da biodiversidade única deste foco global para as gerações futuras.