Bruxelas alertou a Itália de que os controlos reinstaurados nas fronteiras com a Espanha devem ser devidamente justificados. Um porta-voz da Comissão afirmou que o regulamento permite que os Estados-Membros restaurem controlos nas fronteiras internas de forma excecional e temporária, apenas como último recurso, para lidar com ameaças sérias à ordem pública ou à segurança nacional.
Esta medida só pode ser aplicada quando a ameaça for imprevisível e exigir uma resposta imediata. No entanto, a mesma fonte ressaltou que o Estado-Membro em causa, neste caso a Itália, tem a obrigação de informar a Comissão, o Conselho, o Parlamento e os demais Estados-Membros, explicando em que medida a situação em Ceuta representa uma ameaça grave à sua ordem pública ou segurança interna.
Adicionalmente, é possível reestabelecer controlos nas fronteiras marítimas internas. Contudo, segundo o Código de Fronteiras Schengen, as normas especiais aplicáveis a Ceuta e Melilla permanecem válidas, o que implica a existência de controlos entre esses dois territórios espanhóis e o restante Espaço Schengen.
O porta-voz da Comissão acrescentou que, no momento, não há saídas de Ceuta para o resto da Espanha de indivíduos que entraram ilegalmente na cidade, e que a prioridade atual é monitorizar a situação e assegurar o regresso dessas pessoas a Marrocos.
Antonio Tajani, Ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, divulgou na rede social X que a suspensão temporária do espaço Schengen com a Espanha, área de livre circulação na União Europeia (UE), é uma providência prevista nos tratados e que se tornou inevitável. Tajani declarou que esta decisão é necessária para salvaguardar a segurança dos seus cidadãos e defender as fronteiras da Europa.
Matteo Piantedosi, Ministro do Interior italiano, anunciou a decisão de retomar os controlos com a Espanha em portos e aeroportos após uma reunião do Comité de Análise da Imigração e Segurança das Fronteiras. A retomada dos controlos começa no sábado, sem especificação de duração.
Fontes governamentais informaram à agência espanhola EFE que a volta dos controlos nas fronteiras aéreas e marítimas com a Espanha não afeta viajantes espanhóis e europeus, que podem entrar na Itália sem procedimentos burocráticos extras. Os controlos serão aleatórios e afetarão apenas cidadãos de países terceiros (fora da UE) que chegam da Espanha, visando verificar a legalidade da entrada na Itália.
O Governo italiano foi o primeiro a criticar na quinta-feira a entrada ilegal de milhares de imigrantes em Ceuta vindos de Marrocos. A primeira-ministra Giorgia Meloni exigiu a implementação de «instrumentos extraordinários para defender as fronteiras e a segurança dos cidadãos, como a suspensão do espaço Schengen com Espanha», em reação a «imagens chocantes». O ministro Antonio Tajani acusou Madri de incentivar o «tráfico de seres humanos» ao «conceder a cidadania espanhola a 500 mil imigrantes irregulares».
Em resposta à postura de Roma, José Manuel Albares, Ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, convocou o embaixador italiano em Madri para manifestar protesto. Além disso, Laurent Nuñez, Ministro do Interior francês, anunciou que o efetivo de polícia e guarda reforçado na fronteira franco-espanhola será quintuplicado até sábado, totalizando 334, devido à crise de Ceuta.