Um portal de monitoramento marítimo e análise de risco reportou oito passagens confirmadas no estreito de Ormuz na quinta-feira, o que representa uma diminuição de 33% em comparação com o dia anterior. Em contraste, as travessias pelo estreito de Bab el-Mandeb tiveram um crescimento de 18%.
Os dados mostram que a tendência de queda em Ormuz, iniciada na quarta-feira com apenas 12 travessias (três a menos que no dia anterior), persistiu. A maior parte das embarcações que passaram por Ormuz na quinta-feira utilizou o que foi chamado de «esquema de navegação unilateral iraniano», conforme relatado pela Kpler.
De acordo com a plataforma, que utiliza dados da MarineTraffic, este sistema é um corredor imposto pelo Irã, forçando navios comerciais a navegar perto das águas territoriais iranianas, em vez de seguir a rota internacional definida pela Organização Marítima Internacional (OMI).
Essa redução no fluxo de tráfego também é atribuída à insegurança das companhias de navegação. Isso ocorre em um momento em que o Irã havia anunciado um acordo com Omã na quarta-feira para estabelecer uma rota marítima segura em Ormuz. Essa rota era utilizada por 20% dos produtos petrolíferos antes do conflito iniciado pelos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica em 28 de fevereiro.
As autoridades iranianas esclareceram que essa nova rota atravessará parcialmente as águas territoriais do Irã e de Omã, permitindo a passagem de navios comerciais sob um novo modelo de gestão, substituindo as rotas temporárias acordadas entre os dois países. Teerão e Mascate estão finalizando uma declaração conjunta sobre esse entendimento.
Relatórios de diversas plataformas de monitoramento indicam que aproximadamente 70 embarcações foram alvo de ataques no estreito de Ormuz desde o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel. O diálogo entre Irã e Omã acontece após o fracasso do memorando de entendimento assinado por Estados Unidos e República Islâmica em 17 de junho, que previa um cessar-fogo imediato e negociações de 60 dias para um acordo de paz definitivo.
No entanto, as partes retornaram ao confronto militar, com Teerão reimpondo restrições em Ormuz e Washington aplicando novamente um bloqueio naval aos portos iranianos.
A Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (ADNOC), a principal empresa estatal de energia dos Emirados Árabes Unidos, comunicou que 15 de seus navios sofreram ataques em Ormuz nos últimos cinco meses, resultando na morte de um tripulante e ferimentos em outros 20. Em um comunicado, a ADNOC reforçou seu compromisso de atender às necessidades dos clientes «apesar das circunstâncias e desafios excepcionais», mencionando o fechamento de Ormuz e os ataques de retaliação iranianos contra as infraestruturas energéticas dos Emirados e de outros países do Golfo Pérsico.
A empresa de Abu Dhabi também enfatizou «a importância de respeitar e proteger a liberdade de navegação e o direito de passagem segura das embarcações comerciais pelas vias navegáveis internacionais, livres de qualquer ameaça, obstrução ou ataque».
Em contraste com a diminuição do comércio em Ormuz, a Kpler notou que a atividade em Bab el-Mandeb subiu 18% na quinta-feira, totalizando 26 travessias confirmadas. Contudo, Bab el-Mandeb também está sob ameaça dos rebeldes Houthi do Iémen, que impuseram um bloqueio marítimo à Arábia Saudita.
Na quinta-feira, os Houthi reivindicaram mais dois ataques contra petroleiros sauditas no Golfo de Aden e na costa de Yanbu, no Mar Vermelho, elevando para nove o número de navios do reino árabe visados pelos rebeldes iemenitas desde o bloqueio imposto no final de julho. O reino árabe, grande exportador de petróleo da região, enfrenta interrupções tanto no tráfego de Ormuz quanto no Mar Vermelho, principal rota de escoamento de seu petróleo bruto.
Neste cenário, líderes da Arábia Saudita, Paquistão e Turquia assinaram em Meca um acordo de defesa trilateral. Segundo a declaração dos três países, este pacto estabelece um sistema de proteção mútua, onde um ataque a um deles é considerado um ataque a todos.

