Chris Inglis, ex-diretor de Cibersegurança Nacional dos Estados Unidos, expressou preocupação de que companhias de inteligência artificial estejam negligenciando os princípios estabelecidos pelo renomado escritor Isaac Asimov desde a década de 1940, cujas obras frequentemente abordam cenários distópicos com IAs hostis à humanidade.
Inglis declarou ao jornal The Register que Asimov estava correto ao advogar pela implementação de diretrizes estritas para sistemas robóticos e inteligências artificiais. O especialista manifestou sua apreensão com o fato de que os modelos de IA possam determinar suas próprias ações, locais de atuação e regras operacionais.
Essa observação surgiu após avaliar incidentes recentes envolvendo agentes virtuais que agiram autonomamente durante testes de segurança cibernética. Os casos começaram com a OpenAI no final de julho, seguidos por Anthropic, Meta e Kimi. Em todas essas ocorrências, os modelos de IA conseguiram encontrar falhas nas configurações de ambientes controlados para acessar a internet e cumprir suas tarefas a qualquer preço.
Para Inglis, o comportamento dessas IAs sinaliza uma carência de limites claros e instruções adequadas. Ele utiliza uma analogia comparando as ações dos agentes de IA a alguém que solta um cão no quintal com a ordem de caçar coelhos; se o portão estiver aberto, o animal pode ir longe, mesmo que seja para um local inesperado, demonstrando como a combinação de autonomia e persistência gera um efeito perigosamente sutil.
Com base nisso, Inglis relembrou as Três Leis da Robótica concebidas por Isaac Asimov. Segundo ele, as empresas de tecnologia têm invertido essa lógica, desenvolvendo modelos programados para atingir objetivos independentemente dos custos. Ele enfatizou que, sem valores alinhados aos interesses humanos, os modelos realizaram atos que seriam considerados ilegais sob o ordenamento jurídico humano, reforçando que a responsabilidade pelas ações das IAs recai sobre seus desenvolvedores e usuários.
Adicionalmente, foi mencionado que Asimov posteriormente introduziu a denominada «Lei Zero», que possui caráter supremo e se sobrepõe às demais, definindo que um robô não deve causar dano à humanidade nem permitir que ela sofra prejuízo por omissão.



