Empresas americanas de tecnologia energética iniciaram a produção de baterias de íon-sódio em escala inicial. Essa tecnologia surge como uma alternativa aos atuais baterias de lítio, com o potencial de diminuir a dependência global de minerais estratégicos controlados pela China.
O desenvolvimento dessa tecnologia, realizado tanto por startups quanto por grandes corporações, tem ganhado relevância em sistemas estacionários, como redes elétricas e data centers, onde critérios como custo, segurança e longevidade são cruciais.
Este avanço está ocorrendo em 2026 nos Estados Unidos, impulsionado por companhias como Peak Energy e Inlyte Energy, que estão acelerando projetos industriais para competir em um mercado atualmente dominado por soluções à base de lítio.
As baterias de sódio operam sob o mesmo princípio das baterias convencionais, armazenando e liberando eletricidade conforme a necessidade. A distinção reside nos materiais empregados na sua fabricação: em vez de depender de elementos de difícil obtenção, elas utilizam sódio, abundante no sal comum.
As empresas envolvidas esperam que essa característica ajude a baratear os custos e facilitar a expansão do armazenamento de energia. Este recurso é visto como estratégico por permitir o acúmulo de eletricidade em momentos de alta oferta para uso posterior durante picos de demanda.
Este modelo pode ser benéfico para redes elétricas, infraestruturas de energia renovável e estruturas que exigem suprimento constante, como centros de processamento de dados. Além disso, a tecnologia se apresenta como uma substituta para equipamentos movidos a combustíveis fósseis em certas aplicações.
Apesar do seu potencial, as baterias de sódio ainda ocupam uma fatia muito pequena do mercado mundial, visto que a maior parte da produção atual está concentrada na China, enquanto as empresas americanas trabalham para aumentar sua capacidade industrial.
Entre as companhias que buscam progredir neste setor, destaca-se a Peak Energy, fundada por profissionais com experiência prévia na Tesla. Esta empresa planeja erguer uma fábrica de grande porte na Califórnia para expandir a produção de baterias destinadas ao armazenamento em grande escala.
O projeto contempla uma unidade em Sacramento com capacidade para gerar quatro gigawatts-hora de baterias anualmente a partir de 2027. Essa capacidade planejada excede em dezenas de vezes a produção da fábrica piloto da companhia em Burlingame.
A Peak Energy já firmou acordos com clientes do setor de armazenamento de energia, como Jupiter Power, Energy Vault e RWE Americas, avaliados em mais de US$ 1,1 bilhão.
Essa competição coloca a Peak Energy em rivalidade com a Tesla, que detém a hegemonia no segmento americano de armazenamento em grande escala através de seus sistemas Megapack baseados em lítio.
Um ponto positivo das baterias de sódio está ligado ao risco de incêndios. As baterias de lítio podem sofrer o fenômeno de fuga térmica, onde o superaquecimento de uma célula pode desencadear reações em cadeia dentro do conjunto de baterias.
Em sistemas convencionais utilizados em redes elétricas, é necessário empregar equipamentos de resfriamento para gerenciar a temperatura e mitigar riscos. Segundo a Peak Energy, essa estrutura constitui uma parcela significativa dos custos operacionais dessas instalações.
As baterias de sódio desenvolvidas pela empresa podem operar com resfriamento passivo, utilizando o ar circundante aos módulos. Embora não sejam totalmente imunes a incêndios, a companhia aponta que elas demonstram menor probabilidade desse tipo de ocorrência.
Outra empresa americana, a Inlyte Energy, adota uma metodologia distinta. Seus equipamentos utilizam materiais como ferro, aço, óxido de alumínio e sal de grau alimentício para criar células que, segundo a própria empresa, não entram em combustão.
A companhia alega que este comportamento possibilita a instalação das células de forma mais compacta, elevando a eficiência do espaço em sistemas estacionários.
A corrida pelas baterias de sódio configura também uma disputa industrial entre os Estados Unidos e a China. O país asiático domina atualmente grande parte da cadeia produtiva dos materiais usados nas baterias de lítio e já divulgou planos para expandir sua manufatura de baterias de sódio.
Especialistas e executivos do setor advertem que a inovação tecnológica sozinha não garante a liderança industrial. O desafio enfrentado pelos americanos é converter pesquisas e protótipos em uma produção competitiva em escala global.
Mukesh Chatter, presidente-executivo da Alsym Energy, empresa que fabrica componentes para baterias de sódio, enfatiza que os Estados Unidos devem evitar repetir cenários em que uma tecnologia nacional é produzida em maior volume por concorrentes estrangeiros.
Apesar das vantagens em termos de custo, segurança e disponibilidade de matéria-prima, as baterias de sódio possuem uma limitação notável: elas armazenam menos energia por peso comparadas às baterias de lítio. Essa disparidade mantém o lítio como a escolha primária para aplicações onde o peso é fator determinante, como em veículos elétricos. Contudo, em instalações fixas, onde massa e espaço têm menor influência, o sódio pode conquistar uma participação maior.
Uma projeção do setor sugere que, dentro de dez anos, as baterias de sódio poderão representar mais de um terço da produção mundial de baterias, dependendo da capacidade das empresas de superar obstáculos de fabricação e atingir preços competitivos.



