O anuário militar renomado Jane’s Fighting Ships, publicado pelo Jane’s Information Group, serve como um catálogo detalhado das marinhas e forças costeiras globais, cobrindo navios de guerra, submarinos, aeronaves e sistemas de armamento.
Na edição de 1989, o Jane’s indicava que um país com 17 submarinos possuía a sétima maior frota desse tipo mundialmente. Essa quantidade era compartilhada entre a Índia e a Pepsi, uma empresa de refrigerantes sediada nos Estados Unidos.
Naquele ano, a PepsiCo Inc., fabricante da Pepsi, efetivamente comprou 17 submarinos, além de um cruzador, uma fragata e um contratorpedeiro pertencentes à União Soviética. Recentemente, a internet divulgou essa informação, sugerindo que a Pepsi possuía a «sexta maior frota naval do mundo», o que não era totalmente preciso. Primeiramente, o registro era de sétimo lugar, e aplicava-se somente aos submarinos, e não à frota naval completa.
Ademais, a Pepsi não tinha intenção de se estabelecer como uma potência marítima; seu interesse nos navios era unicamente o descarte como sucata. A frota era considerada inútil para qualquer outro propósito, visto que os barcos e submarinos estavam obsoletos, enferrujados e antigos, não sendo mais adequados para uso militar. Assim que a aquisição foi concluída, a Pepsi enviou imediatamente as embarcações para um estaleiro localizado na Noruega ou Suécia (não há confirmação) para que fossem desmontadas.
Relações de longa data
Embora a compra de embarcações militares por uma empresa de bebidas possa soar incomum, a companhia mantinha laços com a União Soviética desde a década de 1970. A primeira colaboração ocorreu em 1972, envolvendo a troca de produtos Pepsi por vodka russa e a concessão de direitos exclusivos de distribuição dentro do bloco soviético.
Para a Pepsi, essa parceria representava uma oportunidade vantajosa, pois lhe dava acesso a um mercado vasto onde a Coca-Cola ainda não operava, permitindo a expansão de sua marca internacionalmente. Para os soviéticos, tratava-se de um acordo comercial significativo durante o período de reconstrução pós-guerra. Do ponto de vista geopolítico dos Estados Unidos, a entrada de produtos ocidentais na URSS era vista como uma forma de promover a cultura local e facilitar a transição para o sistema capitalista.
Em 1985, após Mikhail Gorbachev assumir o comando da União Soviética, a Pepsi já havia estabelecido 16 fábricas de engarrafamento no território. Outras corporações, como McDonald’s, Pizza Hut e Baskin-Robbins, também aproveitaram esse momento, buscando lucrar com a renovação econômica soviética.
Quando os navios foram vendidos à Pepsi em 1989, a empresa era apenas um dos compradores, pois a URSS estava se desfazendo de sua frota antiga, frequentemente por valores muito baixos, devido à necessidade financeira da sua Marinha. Nesse cenário, trocar embarcações por refrigerantes parecia bastante lógico, dado que os navios e submarinos mal valiam o peso de sucata. No mesmo ano, o Muro de Berlim caiu. Em 1991, a URSS foi dissolvida e Gorbachev foi forçado a renunciar. A Pepsi manteve seus investimentos na região, registrando US$ 3 bilhões em receita na Rússia em 2020, tornando-a seu terceiro maior mercado após os EUA e o México. A sétima maior frota de submarinos de 1989 acabou se tornando sucata, pois o único objetivo da Pepsi no bloco era comercializar seus refrigerantes.



