Uma pesquisa divulgada na última quarta-feira (05) sugeriu que a evolução dos dinossauros pode ter enfrentado uma restrição imprevista: a dificuldade em desenvolver espécies de porte extremamente reduzido. Os pesquisadores responsáveis pelo estudo vieram do Museu Americano de História Natural e da Universidade de Princeton.
A investigação examinou a progressão do tamanho corporal em diversos grupos de vertebrados e constatou que fatores puramente fisiológicos não conseguem justificar por que os dinossauros que não deram origem às aves permaneceram maiores do que animais comparáveis em outros grupos taxonômicos. Uma teoria levantada aponta para conflitos ecológicos com pequenos mamíferos que já estavam estabelecidos nesses nichos.
O trabalho, publicado na revista Evolution, empregou modelos matemáticos para mensurar os padrões de tamanho corporal. A conclusão foi que a competição, juntamente com outros elementos ambientais, pode ter impedido a diminuição do porte dos dinossauros antes do surgimento das aves.
Embora os dinossauros sejam frequentemente imaginados como criaturas gigantescas, os cientistas optaram por focar no extremo oposto da escala evolutiva, questionando por que não surgiram dinossauros do porte de ratos ou pequenos pássaros, comuns entre muitos vertebrados contemporâneos.
A análise demonstrou uma disparidade notável no registro evolutivo: cerca de 75% das espécies atuais de mamíferos e aproximadamente 90% das aves existentes são menores do que o menor dinossauro não aviário conhecido. Entre os menores representantes deste grupo encontra-se o Microraptor, que pesava cerca de 450 gramas, um peso comparável ao de um coelho grande. Este tamanho ainda excede significativamente animais atuais muito pequenos, como o beija-flor-abelha e o musaranho etrusco, ambos pesando perto de 2 gramas.
Os cientistas ponderaram a possibilidade de que fósseis de dinossauros muito pequenos simplesmente não tenham sido descobertos. Contudo, essa ideia foi considerada improvável, visto que os depósitos fossilíferos aptos a preservar dinossauros também registram mamíferos, lagartos, anfíbios e outras criaturas pequenas.
Para investigar esse fenômeno, os pesquisadores aplicaram modelos matemáticos baseados em variáveis como energia disponível, taxa de reprodução e seleção natural. O objetivo era determinar se os animais tendiam a alcançar tamanhos que otimizassem o uso de recursos para a produção de descendentes.
O método gerou resultados consistentes com os padrões observados em tartarugas, mamíferos e aves. No entanto, ele falhou em explicar a distribuição de tamanho encontrada nos dinossauros não aviários, um padrão semelhante ao observado em certos répteis, como cobras, lagartos e crocodilianos.
A conclusão dos autores é que as características intrínsecas dos organismos não são suficientes para explicar a ausência de dinossauros minúsculos. Em vez disso, as circunstâncias ambientais, incluindo a disputa por recursos, a presença de predadores e a disponibilidade de nichos, desempenharam um papel determinante.
O estudo também abordou a transição que culminou no surgimento das aves. Apesar de serem descendentes dos dinossauros, muitas espécies atuais são bem menores do que qualquer dinossauro não aviário documentado. Os pesquisadores sugerem que a habilidade de voar pode ter modificado as oportunidades ecológicas para essas criaturas, permitindo que as primeiras aves evitassem as limitações que dificultavam a redução de tamanho em outros dinossauros.
Portanto, a pesquisa indica uma correlação interessante na história evolutiva: os ancestrais dos dinossauros poderiam ter sido pequenos, e seus descendentes modernos, as aves, também atingiram tamanhos reduzidos. Todavia, os próprios dinossauros não aviários parecem ter encontrado uma barreira intransponível para alcançar essa escala.