Em seu novo livro, «Courage Under Fire», Suresh Narayanan, ex-diretor executivo da Nestlé, afirma que durante crises, as pessoas tendem a seguir aqueles em quem confiam.
Ao longo de mais de quarenta anos, Suresh Narayanan participou de conselhos de administração, resolveu problemas de marcas e vivenciou uma das crises definidoras na história dos negócios indianos. No livro «Courage Under Fire» (publicado pela Penguin Random House India), o ex-presidente e diretor executivo da Nestlé Índia vai além da estratégia de negócios comum para investigar o que realmente molda as qualidades de liderança.
Em uma entrevista exclusiva com Lopamudra Ghatak, ele apresenta a tese de que a clareza mental tem mais importância do que o carisma. Ele também critica a obsessão dos negócios indianos por linhagens familiares, que leva as empresas a ignorar o potencial dos líderes, e compartilha abertamente lições aprendidas com a crise da Maggi.
Além disso, Narayanan explica por que a abordagem da Geração Z ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal merece respeito, e não zombaria, e relembra como uma chefe feminina o ensinou que a empatia é uma das qualidades chave de um bom líder.
No livro «Courage Under Fire», ele escreve que «grande liderança não reside no cargo; reside na responsabilidade, autenticidade e capacidade de inspirar confiança quando necessário». Em um mundo caracterizado pela escassez de confiança e excesso de informação, o autor examina como um líder pode conquistar a confiança e como uma organização pode integrar a confiança em seu DNA. Ele observa que muito tempo é gasto em aparências externas em vez de sinceridade, usando o termo «performatividade» para descrever a máscara que exibe uma imagem, escondendo outra.
A questão de se a liderança pode ser ensinada ou se é uma qualidade inata também é discutida. Narayanan menciona visitas a faculdades de segundo e terceiro nível, onde os estudantes frequentemente demonstram grande gratidão, sede de conhecimento e desejo de aprender, questionando se eles estão formando os melhores líderes e se o «rótulo» importa.
Considerando que o local de trabalho moderno se tornou extremamente instável devido à geopolítica e à incerteza global, o autor se pergunta se os negócios indianos começaram a superar seu elitismo. Ele oferece conselhos para líderes que tentam navegar em situações de crise, sobre o que dizer, como se comportar e que tom estabelecer.
O tema de sua própria reação à crise da Maggi também é abordado: ele acredita que sua resposta foi apropriada e há algo que faria diferente olhando para trás. No livro, ele toca no impacto emocional da perda de colegas durante a pandemia. Ele se pergunta se os líderes empresariais, especialmente os homens, estão se tornando mais abertos a demonstrar seus lados vulneráveis.
Finalmente, ele chama a atenção para a influência da nova geração — Gen Z e a emergente Gen Alpha — que colocam o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, propósito e flexibilidade em primeiro plano, e analisa como isso afetará a força de trabalho indiana nos próximos anos.


