A cidade de Pequim recebeu o título de Capital Mundial da Arquitetura para o ano de 2029, uma honraria concedida em 5 de agosto de 2026. Esta iniciativa é fruto da colaboração entre a UNESCO e a União Internacional de Arquitetos (UIA).
Este título é atribuído a uma cidade a cada três anos e deve sediar um ano inteiro de atividades dedicadas à arquitetura, coincidindo com o Congresso Mundial de Arquitetos/as da UIA. A indicação foi formalizada mediante recomendação do Comitê Conjunto para a Capital Mundial da Arquitetura, que é liderado pelo arquiteto Dominique Perrault.
A escolha de Pequim acontece após o término do Congresso Mundial de Arquitetos/as da UIA 2026, realizado em Barcelona, que era a Capital Mundial anterior. A decisão também considera as experiências passadas de Rio de Janeiro e Copenhague.
O reconhecimento de Capital Mundial da Arquitetura sublinha o empenho de uma metrópole em usar a arquitetura, o planejamento urbano e a cultura como instrumentos para alcançar o desenvolvimento sustentável. Essa distinção evidencia como as cidades lidam com desafios como a expansão urbana, a conservação do patrimônio histórico, a resistência às mudanças climáticas e a criação de designs acessíveis a todos.
Segundo a UNESCO, Pequim foi selecionada devido à sua notável habilidade em unir um dos acervos arquitetônicos mais valiosos do planeta com uma perspectiva futura orientada para o crescimento urbano sustentável. Sua estrutura urbana antiga, os projetos de revitalização bem-sucedidos e a cultura arquitetônica moderna foram citados como exemplos de como o legado, a inovação e a vida comunitária podem se reforçar mutuamente na edificação de cidades habitáveis e resilientes.
Para os preparativos de 2029, planeja-se que Pequim promova um cronograma abrangente de exposições, seminários, workshops e eventos culturais focados em urbanismo e arquitetura, culminando na realização do próprio Congresso Mundial da UIA na cidade. O encontro Pequim 2029 terá como tema «De volta ao equilíbrio» (Back to Balance), visando posicionar a arquitetura como uma ligação entre a natureza, a cultura e as pessoas.
Através de eventos abertos ao público, a cidade pretende fomentar o debate internacional sobre como o ambiente construído pode auxiliar na formação de futuros urbanos mais humanos, sustentáveis e inclusivos. Este grande evento reunirá arquitetos, urbanistas, pesquisadores, estudantes, administradores públicos e representantes de organizações internacionais de diversas partes do globo, com o intuito de fortalecer a colaboração entre governos, profissionais da área, universidades, instituições culturais e comunidades locais.
Khaled El-Enany, Diretor-Geral da UNESCO, expressou confiança de que o patrimônio arquitetônico excepcional de Pequim, sua evolução urbana dinâmica e sua visão prospectiva irão estimular novos diálogos globais sobre o papel da arquitetura na melhoria da qualidade de vida e na proteção do nosso patrimônio comum para as gerações vindouras.
No contexto chinês, Shenzhen tem se destacado na vanguarda da arquitetura cultural contemporânea. Um exemplo disso é o Museu de História Natural de Shenzhen, concebido por um consórcio que inclui os escritórios 3XN, B+H Architects e Zhubo Design. Este museu inaugurou suas portas como o maior museu de história natural do sul da China e um dos maiores de seu tipo concluídos recentemente no mundo.
Adicionalmente, a Shenzhen Bay Culture Square, projetada pelo escritório MAD, foi finalizada recentemente e tem a função de servir como um espaço dedicado ao design e à troca cultural. O escritório MVRDV também apresentou seu projeto para o Bihailou Art Village, um complexo de uso misto que integra funções culturais, comerciais e públicas em uma estrutura vertical, seguindo o conceito «Vertical Village» do escritório.
Além dos edifícios isolados, o país está avançando em iniciativas relacionadas ao clima, agricultura e paisagismo, como o programa de reflorestamento da Grande Muralha Verde, cujo objetivo é conter a desertificação na região do Deserto de Gobi.